Crônicas da Vida Real: Uma carta ao conforto X de cada dia

Querida, Verdade.

Cheguei ao meio século de vida, muita coisa já passou e outras estão aparecendo em mim. Encontro-me agora com estabilidade financeira, familiar e minha saúde anda meio abalada. Moro numa cidade ligada nos 220, mas foi aqui que escolhi viver e criar meus filhos.

Trabalho de segunda à sexta, das 7h da manhã até às 17h da tarde. Durante esses cinco dias da semana, acordo duas horas antes para poder chegar a tempo no trabalho. Chego em casa duas horas, ou mais, depois que saio do trabalho. Essa adaptação de horário se deu algum tempo atrás, após descobrir que saindo um pouco mais cedo de casa poderia não pegar o trânsito que costumava pegar. Pego trânsito sempre que atraso alguns minutos. A volta pra casa não tem jeito, a única saída é optar por outras rotas para fugir das grandes avenidas. Chegando ao trabalho, uso um veículo da empresa para me locomover e resolver algumas questões.

Meus filhos estão estudando, e trabalhando. Por eu estar sempre com o carro, eles acabam optando pelo transporte público. Mas sinceramente não queria isso para eles. As condições do transporte público estão precárias. Você passa nervoso para esperar o ônibus, fica apertado lá dentro, com pessoas que você mal conhece. Por isso, creio que em pouco tempo cada um terá o carro de sua preferência, com conforto e autonomia.

Bom, minha saúde não é mais a mesma quando era jovem, isso de fato é por conta da minha idade. Ando bastante estressado, cansado, falta respiração, sobra dores físicas e mentais. Sinto-me sufocado, sem ter opção e muita sonolência durante o dia. Em dias de folga, não tenho paciência nem pique para curtir um dia ensolarado com minha família. Só penso em descansar, porém permaneço cansado.

Atenciosamente, Humano.

RE:
Querido, Humano.

Foi bom entrar em contato comigo. Vou ser breve.

Leia seu texto de baixo para cima (do último parágrafo, ao primeiro e assim por diante). Lembre-se que consequência é resultado. Retorne se preciso for, mas acredito que o melhor a fazer para solucionar suas dúvidas e problemas, é você começar e rever sua rotina. Pelo menos, e por enquanto, a rotina. Acredite, ainda há tempo.

Atenciosamente, Verdade.

RE: RE:
Querida Verdade, Humano e também para a humanidade.

Qual tipo de conforto, e autonomia, você procura pro seu bem estar? O uso do carro? Então, porque você continua se cansando? Por que continua sendo objeto guiado nas ruas? Já reparou que você paga pelo conforto, mas em troca recebe estresse e cansaço? Será que o carro realmente lhe trás o conforto e autonomia que você procura? Veja por outro lado. O cansaço do final do dia, nada mais é do que o conforto que você acha que tem no início do dia. E a autonomia que você acredita ter é tão incerta, você não opta pelo caminho que procura, e sim é levado pelo caminho mais fácil. O caminho possivelmente sem trânsito, sem faixas exclusivas que encurtam seu espaço nas ruas, ou o caminho que você acaba tendo que passa por conta da falta de opções. Sendo assim, você continua tendo autonomia?

Se questione, quanto você paga, hoje, por um litro de combustível? E depois ponha no papel (ou na mente) se vale a pena pagar tão caro para acelerar seu estresse e cansaço, sua perca de tempo parado no trânsito. E mesmo no dia que não utiliza o automóvel, ainda assim, se encontra impaciente. Sem opção, vive correndo (mentalmente), mas, permanece parado.

Muitas vezes dentro de nossas armaduras de ferro, plástico e luzes, não percebemos o quão perto é tal percurso. Por estar parado tanto tempo, e levar tanto tempo para chegar ao seu destino, você não repara o quão perto é a distância final do seu percurso. E que se parar para perceber, dentro do carro, não percebe nada além do estresse e impaciência.

Lembre-se: O maior bem da sua vida, é sua Vida.

Atenciosamente, Vida.

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A categoria “Crônicas da Vida Real” são histórias (muitas vezes literárias e romantizadas) baseadas em fatos reais. As crônicas aqui publicadas são criadas a partir de experiências e vivências reais. Por isso, se tem algum fato que queira nos contar é só entrar em contato. Assim, mais “Crônicas da Vida Real” podem ser criadas para refletirmos, e servir de exemplo.

Um por um, aos 5 mil

bikezonasulpageQuantas vezes, pelo menos semana passada, você parou pra ser ouvido? Quantas vezes, pelo menos ontem, você parou pra que te ouvissem? Quantas vezes, hoje, você parou pra ouvir alguém?

Para ficar em pé, é preciso alicerces fortes e resistentes a tudo e a todos. As nossas pernas, não só elas, nos mantém de pé. Elas são responsáveis por toda a carga que nós ingerimos, desde o que comemos pela boca, ou que comemos pelo cérebro.

A informação é uma união de todos os alicerces, e são grandes responsáveis pela formação da informação. É por isso, que antes mesmo de cuidarmos das nossas pernas físicas, precisamos compreender e entender as pernas que nos movem como pessoas, a informação que entra na nossa cabeça.

A equipe Bike Zona Sul, agradece todos os alicerces do nosso coletivo. Agradecemos você por ser o nosso alicerce, a fonte de informação. A fonte, como motivo da nossa informação e dedicação. É claro que agradecemos às suas pernas físicas, por pedalarem mundo a fora trazendo e sendo as questões do nosso coletivo, mas também, agradecemos às suas pernas cerebrais que se movem como receptor e gerador de informação. Você é o motivo e a razão, é por você, é por todos nós, ciclistxs.

O nosso sincero e carinhoso abraço, aos mais de 5 mil alicerces da página.

Equipe Bike Zona Sul.

Um cidadão de bem – Crônicas da vida real na cidade de São Paulo (Por: Carla Moraes)

Pois bem, você sempre trabalhou e sustentou sua casa, educou seus filhos, sempre foi um cidadão de bem. Finalmente tem um incentivo do governo como IPI zero e resolve comprar um carro. Por muito tempo você se deixou acreditar que ter um carro é sinônimo de conforto e liberdade, principalmente ao ver aquelas lindas propagandas na TV, onde pega seu carro e sai dirigindo por aí pelas ruas da cidade, pelas estradas, por lindas paisagens. Afinal de contas, está cansado de ficar no ponto de ônibus todas as manhãs, depois de 10 minutos de caminhada, e ainda ter que pegar um trem lotado até o trabalho todos os dias.

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Se você comprar esse carro, seu meio de transporte irá parecer como esse. “Toda a estrada livre”

Faz o financiamento com um grande banco e assim parcela sua dívida. Você acha que comprou liberdade e conforto, mas na realidade o que você ganha é uma eterna dependência.

IPVA, seguro e também a dívida que deverá pagar todos os meses. Além disso, terá que todos os meses gastar com combustível, ou seja,  derivados de petróleo. Pois bem a partir desse momento você não está mais trabalhando para seu próprio conforto, está trabalhando para pagar sua dívida a um grande banco e a uma empresa que vende combustível, impostos e tributos. Você acha que ganhou a liberdade, mas você ganhou uma prisão.

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Mas na verdade, o que acontece é isso…

Um carro popular em 2013 custava em média R$830,00 por mês, apenas para manutenção do bem. “Em três anos, dá para comprar outro carro.” Essa é a frase que sintetiza o estudo sobre o custo para se manter um automóvel popular no Brasil, elaborado pela Proteste — Associação Brasileira de Defesa do Consumidor. Detalhe: o valor considera pagamento à vista, não contabilizando uma eventual prestação de financiamento. A partir dos valores, foi feito um cálculo dos custos nos três primeiros anos de uso, somando impostos (IPVA e licenciamento), seguro (obrigatório e opcional), revisões, combustível e depreciação.

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E esse ciclo continua, pois você irá trocar de carro nos próximos anos e fazer um novo financiamento no banco e continuar pagando o combustível e os tributos e seguros e impostos.

A partir desse momento também vira um prisioneiro do caótico trânsito das grandes cidades, das ruas já lotadas de carros, dos intermináveis congestionamentos diários. Aí vem o estresse…

Como quebrar essa cadeia?

Você poderia optar pelo transporte público, porém já sabe ele é deficiente e sobrecarregado, subdimensionado e há pouco investimento no setor. O transporte público é subsidiado pelo governo, isso quer dizer que o governo tem que pagar para manter esse sistema com o preço atual, logo esse custo sai do bolso do próprio cidadão. E o governo deveria atender os interesses da população, certo? Porém o transporte público não gera renda, enquanto o seu carro gera lucro diariamente a bancos, postos de gasolina, empresas de manutenção de vias, construtoras, seguradoras, pedágios, estacionamento e também em forma de impostos.

O carro seu causa danos ao pavimento, que por sua vez é consertado por uma grande construtora, que também constrói uma ponte de bilhões de reais, para você poder trafegar com seu carro. Além das empresas de combustível, dos bancos, também fica dependente das construtoras.

gastos-mensais-dos-brasileiros-resultados-da-pesquisa-julho2014-10-1024Principais resultados da pesquisa exclusiva “Como gastam os brasileiros?”, realizada no período de julho de 2014 com internautas das principais regiões metropolitanas do país. Esta pesquisa foi uma parceria entre a eCMetrics/ eCGlobal Solutions e o Mundo do Marketing

Quantas obras de mobilidade urbana estão paradas ou sucateadas pela cidade? Monotrilho, obras do metrô, trem de alta velocidade, terminais de ônibus… Alguns nem saíram do papel, não é mesmo? Porém as grandes empresas e construtoras já pegaram um pedacinho do seu dinheiro para a execução destas obras intermináveis, que se algum dia ficarem prontas, já nascerão subdimensionada…

É uma constatação triste, mas possuir um carro é contribuir para a manutenção de um sistema de transporte falido, insustentável. Veículos individuais sobre rodas, pois raramente levam mais de 1 ou 2 passageiros, ocupando as vias da cidade, poluindo o ar, sustentando um sistema corrupto de grandes empresas.

Pois é, Senhor cidadão de bem, você faz parte dessa máquina desigual e cruel, que de alguma forma contribui para a manutenção do péssimo sistema de transporte público nas grandes cidades.

E pensar que isso começou há anos atrás… e ainda tem gente reclamando dos tradicionais fabricantes de carros estarem vendendo cada vez menos, mas ninguém reclama das novas montadoras estrangeiras que se instalam anualmente no país.

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E foi nesse dia que o “Senhor cidadão de bem” preso num congestionamento de 3 horas numa sexta-feira chuvosa, ainda com 30 parcelas a pagar do seu carro chinês , percebeu que algo estava muito errado e ficou triste… ainda mais por saber que agora tem que trabalhar mais, acordar mais cedo… e ele só quer poder chegar em casa.

Pedalando pro trabalho… um pouco da rotina de uma mulher sobre duas rodas em SP

Uma vez, pedalando pela cidade com um amigo e gerando muitos olhares curiosos, falei: “Viu como as pessoas nos olham? Acho que não tem forma maior de protesto que andar de bicicleta de roupa social, maquiagem e arrumada para ir ao trabalho”.

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É muito engraçado, numa cidade como São Paulo, onde a bicicleta é vista como apenas uma forma de lazer por grande parte da população, ver como as pessoas se chocam aos nos ver pedalando na cidade de saia, meia calça, maquiagem… Certa vez, chegando a uma comércio que sempre frequento, as pessoas olhavam para mim como se eu tivesse chegando com uma nave espacial. Um lugar onde sempre fui de carro ou até mesmo a pé, mas ao adentrar o estabelecimento de bicicleta, olhares indiscretos pareciam aqueles de desenho animado, de pessoas com uma interrogação na cabeça…

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De alguma forma , pedalando todos os dias parar meus compromissos,  estou inspirando mulheres a pedalar mais, romper barreiras e fazer com que mais gente veja a bicicleta como uma opção de transporte.

Costumo me vestir da mesma forma que antes de usar a bicicleta nos meus deslocamentos, a única diferença é que sempre levo uma necessaire com alguns itens de higiene a mais.

No começo me sentia incomodada com tanta gente de roupa esportiva e só eu com vestimentas habituais, porém depois de ver a repercussão positiva que isso dá, comecei a não me incomodar mais.

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Seja com minha bicicleta pedelec (ver mais em:https://bikezonasul.wordpress.com/2015/05/05/minha-bicicleta-de-vovozinha-por-carla-moraes-bike-zona-sul/comment-page-1/#comment-11), seja com minha Montain bike ou a bike urbana,  ser mulher, pedalar e fazer tudo, inclusive compras de mercado de bicicleta, ainda é ser alvo de olhares curiosos…

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Flores em uma árvore quase nua (Por: Carla Moraes)

Faltando poucos dias para a inauguração oficial da Ciclovia da Avenida Paulista (assim espero!), resolvi escrever um pouco sobre esses últimos 5 meses e meio, desde quando resolvi optar definitivamente pela bicicleta como meio de transporte até o trabalho.

Começo com uma frase do ano de 2011, do Mikael Colville-Andersen do Copenhagenize, quando pedalou aqui na cidade.

São Paulo tem uma longa jornada pela frente para restabelecer a bicicleta como transporte e construir infraestrutura para bicicletas. São Paulo está a anos-luz atrás de outras cidades na busca de trazer a bicicleta de volta. Estas únicas flores em uma árvore quase nua, no entanto, são um sinal de esperança e otimismo. E tantas pessoas boas que defendem a bicicleta são o alimento que vai ajudar o jardim a crescer.

(Matéria original: http://www.copenhagenize.com/2011/07/sao-paulo-bicycle-life.html)

Nossa! Quanta coisa aconteceu… não sei nem por onde começar. Acho que o mais importante são as novas amizades e foram muitas! Sim, dos passeios de bicicleta pela cidade, das bicicletadas, das manifestações e audiências públicas, das redes sociais. Antes, eu que via a bicicleta como apenas uma forma de lazer e de se exercitar, hoje vejo como uma ferramenta de revolucionar, como bem disse uma vez a minha mais nova amiga Rachel Schein.

Eu vesti a camisa, fui à luta… bati boca, me emocionei várias vezes, pedalei até as pernas não aguentarem mais… E já não consigo mais me imaginar sem uma bicicleta.

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E hoje me sinto uma destas “únicas flores em uma árvore nua”, que defendem a bicicleta. Sinto que esses 4 anos entre a data que esse texto foi escrito e hoje, realmente anos-luz se passaram. Ainda falta muito a ser feito, mas a barreira foi rompida e sei que será um caminho sem volta.

Uma das coisas mais agradáveis é poder pedalar na cidade e encontrar, sem querer, outras “flores” pelo caminho, ciclistas que a gente conhece por aí e sempre acaba de trombando pelas ruas. A gente fica mais visível e vê mais gente, mais coisa, vê mais vida na cidade. É uma forma mais romântica de ver tudo ao nosso redor, mas ao mesmo tempo uma forma mais dura e cruel, devido a nossa vulnerabilidade perante o trânsito cruel desta metrópole.

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Não vou me alongar aqui, quero apenas agradecer as outras flores da árvore, que agora não está mais nua, está ficando cada vez mais florida! Porque a cada dia mais e mais pessoas estão vendo a bicicleta como uma excelente forma de se deslocar na cidade, graças ao exemplo e luta de cada uma destas “flores”. Fica aqui o meu muito obrigada!

Cidadãos prestam homenagem à ciclista atropelado em ciclovia na Av. Atlântica

Na tarde do dia 16/05, ciclistas de diversas partes da cidade se encontraram para homenagear o Sr. Adair Pereira da Silva, que infelizmente teve sua vida perdida para a imprudência no trânsito.

São situações que causam grande comoção às pessoas, pois todos nós conhecemos alguém que anda de bicicleta entre amigos, familiares e conhecidos, seja por transporte, esporte ou lazer. E pensamos: poderia ser eu, ser meu amigo, meu irmão, etc…

Ghost-bike em homenagem ao Sr. Adair Pereira da Silva – Foto: Fernando Bike

Mortes no trânsito envolvendo ciclistas são situações bem raras em comparação ao nº de acidentes envolvendo somente veículos motorizados, até mesmo em proporção, ou seja, quando o nº de bicicletas é igual ou maior que a quantidade de carros, mas infelizmente acontecem e dessa vez aconteceu na Zona Sul de São Paulo.

O que algumas pessoas não entendem, é que é totalmente errado dizer que andar de bicicleta é “perigoso”. Não vêem que as mortes são causadas por carros, não pelas bicicletas. E essas pessoas não enxergam o mal que os veículos motorizados causam todos os dias pelas ruas da cidades. Não, não é algo normal. São números comparados às grandes guerras que já aconteceram e que ainda acontecem ao redor do mundo. Não são meros “acidentes” e não devem ser tratados como uma situação corriqueira do dia-a-dia. São vidas que se perdem, crimes que acontecem e que precisam ser investigados com mais dureza pela justiça.

Foto: Bike Zona Sul
Foto: Bike Zona Sul

Nós que andamos diariamente de bicicleta, entendemos que andar de bicicleta é muito mais seguro, pois a velocidade que esse veículo atinge, não causam grandes males à quem o conduz, nem a terceiros. Mas infelizmente todos nós no trânsito, sejam ciclistas, pedestres, motoristas e motociclistas dependemos do respeito dos demais para chegarmos com segurança em casa. É tudo o que pedimos: RESPEITO! Que as pessoas possam respeitar e compartilhar o espaço do outro nas ruas. E que cenas tristes como essa não venham a se repetir.

Foto: Waldyr Pollini Piccione
Foto: Waldyr Pollini Piccione

Descanse em paz, Sr. Adair. Que essa simples homenagem possa confortar toda a sua família nesse momento de dor.

Confira todas as fotos da homenagem prestada ao Sr. Adair:

Na tarde do dia 16/05, ciclistas de diversas partes da cidade se encontraram para homenagear o Sr. Adair Pereira da…

Posted by Bike Zona Sul on Sunday, May 17, 2015

 

Saiba mais sobre ghost-bikes no vídeo abaixo:

Bike & Tecnologia – Aplicativos (por: Alexandre Liodoro)

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Com o uso massivo de celulares e tablets, surgem a cada dia novos aplicativos para usados na prática de esportes, e entre eles para o ciclismo.Fizemos uma seleção dos aplicativos mais usados por ciclistas para que você possa testar e escolher aquele que mais se encaixa no seu dia a dia.

Strava

 

Talvez o aplicativo mais utilizado por ciclistas no mundo intstravaeiro, o Strava possui um sistema de rastreamento bastante preciso e completo. Grava informações geográficas do GPS do celular ou aceita a entrada de diversos tipos de gps do mercado. Exibe relatórios das pedaladas com dados como batimento cardíaco, trajeto, altimetria, velocidade, tempo, distância etc. Além dos recursos de tracking, o Strava possui uma rede social onde é possível adicionar contatos e comparar seus resultados aos de seus amigos. Também é possível ver dados que outros usuários compartilham e até participar de desafios propostos pelos usuários.

Sports Tracker

Esse aplicativo também possui muitos usuários no Brasil. Ele foi criado em 2004 por ex funcionários da Nokia, famosa por ser pioneira em apps de GPSsportstracker para celular. A interface é bastante amigável e pode ser utilizado para diversas atividades esportivas. Além do rastreamento e demais recursos de telemetria, o aplicativo também possui integração com redes sociais. A empresa também vende alguns dispositivos para monitoramento cardíaco, suporte para fixar o celular ou gps na bicicleta  e sendores de velocidade e cadencia.

Runkeeper

Outro aplicativo multi esporte. Ele é muito usado por corredores, porém como possui uma interface muito fácil de usar, é interessante para que está começando a pedalar. Ele possui uma interface visual bem agradável e informa os dados do treino duranterunkeeper a pedalada por voz. Além de possuir todos os recursos de integração com redes sociais ele possui um sistema de incentivo. Comecei usando o runkeeper justamente por ele ser simples e te motivar praticar esportes e perder peso mandando lembretes e dando trofeus pelos seus “feitos”. Uma desvantagem dele é que é um pouco pesado. Se você tem um celular mais antigo pode sofrer um pouco pra usá-lo.

Endomondo

O programa permite que você monitore a atividade em aproximadamente 50 esportes diferentes, incluindo na corrida, ciclismo, beisebol, boxe, dança e esgrima. O aplicativo grava o tempo de treino bem como a distância e rota obtida através do módulo GPS eEndomondo intensidade do treino (ex. por meio do cálculo de velocidade média, velocidade média e máxima) e, em seguida, converte em calorias queimadas. Por ser um aplicativo também multi esportes, o usuário pode achar falta de alguns recursos exclusivos para ciclismo. Mas se você pratica vários esportes e quer unificar todos os tracks em um só app, ele pode ser a alternativa perfeita. O aplicativo está disponível na versão básica gratuita e paga na versão pro.

Wikiloc

Aplicativo excelente para quem curte trilhas. É também uma rede social de trilheiros e tem  informações de rotas, dados de GPS e principamente muita troca de informação entre os usuários sobre os cuidados e pontos de interesse nas trilhWikilocas. O aplicativo do celular é bastante simples, apenas grava  as trilhas, mas é possível usá-lo como um seguidor de trilha pagando uma taxa anual.O site wikiloc é colaborativo e possui um lista enorme de trilhas mapeadas onde é possível fazer perguntas para os usuários e baixar os dados e segui-las. Para os aventureiros de plantão é uma ótima ferramenta para pesquisa pré trilha.

BikeRepair

Esse não é um aplicativo de rastreamento e sim um guiaBikeRepair prático com dicas de mecânica e manutenção da bicicleta que ensinam a resolver mais de 70 problemas mecânicos. Tem fotos detalhadas que explicam passo a passo como ajustar a bike, regular câmbios, freios, trocar os pneus, consertar a câmera de ar, substituir diversas peças e solucionar os mais diversos problemas. Um ótimo aplicativo para os “bicicreteiros” e interessados em aprender mais sobre a mecânica da bike.

Existem muito mais aplicativos voltados especificamente para ciclistas, cada um com um tipo de perfil e finalidade, mas o importante mesmo é botar a bike na rua, trilha ou estrada e pedalar!

Minha bicicleta de vovózinha… (Por: Carla Moraes – Bike Zona Sul)

Depois de algum tempo andando de bicicleta pela cidade como lazer, resolvi optar pela bicicleta também como meio de transporte até o trabalho. Acho que foi uma das escolhas mais sábias que fiz nos últimos tempos, além de economizar tempo e dinheiro, ganhei disposição, saúde e até perdi uns quilinhos… hehhe Sem falar dos novos amigos que a gente faz nos pedais por aí, as viagens, os passeios juntos… Bom demais!

Comecei a ir com minha montain bike da “bicicletaria da esquina” e nos primeiros dias e enfrentei alguns probleminhas comuns, do tipo não ter vestiário e nem chuveiro na empresa onde trabalho, mas que facilmente resolvi levando uma troca de camiseta, uma toalha úmida e uma toalha seca, sabonete e um bom desodorante.

Certo dia eu resolvi pesquisar sobre bicicletas elétricas e achei a ideia muito boa, principalmente as que são pedal assistido. Pensei em um modelo dobrável, pela praticidade de poder usar no transporte público em mochila bike e também pegar um taxi quando precisar, uma carona de um amigo que a gente encontra por aí, dobrar e colocar em qualquer cantinho…

Li alguns fóruns e debates sobre bicicletas elétricas, ainda mais depois daquela discussão tremenda que aconteceu quando a prefeitura de São Paulo liberou o uso de bicicletas elétricas nas ciclovias da cidade. Sempre lia comentários dos ciclistas mais críticos dizendo que bicicleta é só aquela movida a 100% propulsão humana. Mas aí pensei naqueles que compram bicicletas caríssimas de titânio ou fibra de carbono para pedalar mais leve e subir ladeiras com menos esforço. Oras bolas, bicicleta só serve para suar a camisa? Então estes ciclistas deveriam usar bicicletas de ferro, barra forte, ao invés de gastar com quadros leves, câmbios modernos de 27 marchas… Tudo que é diferente do tradicional acaba recebendo muitas críticas, normal.

Parti pela procura do modelo ideal, que coubesse no meu orçamento. E encontrei! Pode parecer muito pagar mais de 2 mil reais por uma bicicleta elétrica, porém minha atual montain bike, equipada como está agora, custa mais que o dobro disso, e sei dos riscos que corro com ela em São Paulo, por ser muito visada para roubos. Minha bicicletinha elétrica, além de ser bem diferente (até hoje não vi outra igual na cidade), tem velocidade reduzida e controlada, ou seja, o ladrão não vai conseguir ir muito longe com ela, pois acho que consigo alcançar ele com uma boa corrida ou ele irá se atrapalhar todos os botõeszinhos que ela tem e chaves para ligar a bateria e tudo mais. Além disso, a economia que faço mensalmente de cerca de R$150,00 da passagem de metrô, já pagou quase tudo o que gastei na compra da bike. E quando eu ia de carro então, eram R$300,00 de estacionamento e R$250,00 de gasolina por mês!!!

Chego um pouco suada sim, porque também tenho que pedalar, porém ela me ajuda e muito nas subidas (o que sempre foi meu ponto fraco como ciclista, pois me canso muito fácil), faz parecer o trajeto mais plano do que realmente é.  Ela é aro 20, que necessita de muito mais pedaladas para percorrer o trajeto, mais do que faço com minha aro 27,5. E com ela uso roupas comuns, calça jeans e qualquer modelo de sapatos. E na volta, tenho a opção de desligar o pedal assistido e pedalar como uma bicicleta comum, o que também vale para o dia que a bateria se esgotar ou você esquecer-se de recarregar.

E qual outro meio de transporte poderia me levar de porta a porta? Saio de dentro da minha casa direto para o bicicletário da empresa que trabalho. Antes, eram 15 minutos de caminhada até o metrô, 25 minutos de viagem de metrô, 10 minutos até a porta da empresa. De carro era uma questão de sorte, de carro na ida eram 35 a 45 minutos, mas na volta “só deus sabe”… Agora, em 35 minutos percorro os 9Km e já estou guardando a bike, o mesmo tempo na volta, com chuva, sol, paralização, com greve… o tempo é sempre o mesmo. J

Ah, com a bicicleta elétrica também economizo água, pois antes o “pós-pedal” era demorado, agora só um lencinho umedecido e desodorante e já estou pronta. Sobre os custos de energia elétrica, uma recarga completa custa cerca de R$ 0,40 e dura 3 dias, consigo rodar uns 55Km sem uma nova recarga já com a bateria com mais de 8 meses de uso.

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Bom, não estou aqui fazendo propaganda nenhuma, só quis abordar alguns benefícios da bicicleta elétrica, que pode ser uma opção para aqueles que têm tanto medo de chegar suado no trabalho, ou pouca agilidade no pedal e dificuldade nas subidas, como eu.

E aí, o que está esperando para trocar aquele seu carro gastão, com IPVA altíssimo, alto custo de manutenção, por uma bicicleta? Pelo menos alguns dias da semana? Ou parte do trajeto? Ou apenas para trajetos no seu bairro? Já pensou nisso?

E para quem critica, eu costumo comparar minha bicicleta elétrica com um carro com ar condicionado: é mais caro, te dá mais conforto, mas tem a mesma função. 🙂

Político e jornal da Zona Sul fazem afirmações equivocadas sobre a implantação de ciclovias

“Aqui não é lugar prá andar de bicicleta.” Assim é o título preconceituoso de um dos textos do Jornal Notícias da Região Sul, um caderno distribuído gratuitamente, que expõe algumas notícias da Zona Sul, mas principalmente anúncios de comerciantes e políticos, onde muitos desses políticos são contrários à implantação das ciclovias.

Artigo do Jornal Notícias da Região Sul (clique para ampliar)
Artigo do Jornal Notícias da Região Sul (clique para ampliar)

O texto tenta se justificar inicialmente, alegando que as ciclovias são necessárias, mas em todos os seus artigos, demonstra total falta de conhecimento sobre os benefícios das ciclovias à população. O jornal tenta supor que a maioria da população está sendo prejudicada com a implantação das ciclovias, dizendo que o benefício dessas estruturas está causando um “maléfico maior” para outros. Oras, a maioria dos deslocamentos na cidade, não é feita por quem anda de carro, mas sim pela população que vai de transporte público ou à pé. Implantar ciclovias é oferecer mais uma opção de transporte para o cidadão chegar até uma estação, um terminal de ônibus, bicicletário ou diretamente ao trabalho.

Os carros particulares ocupam a maior parte dos espaços públicos, possuem cerca de 17.000 km de vias na cidade, mas levam apenas uma pessoa na maioria das vezes e ainda causam grandes transtornos para o ir e vir da população, com seus congestionamentos recordes. É mais do que justo priorizar uma opção de transporte como as ciclovias e as faixas exclusivas de ônibus, para que o cidadão não venha a depender apenas do carro, que é um meio de transporte caro, lento e ineficiente para se utilizar dentro das cidades. Além disso, a população se beneficia muito no uso da bicicleta tendo ganhos na saúde, em tempo livre, humanização dos espaços públicos e, até mesmo, aumenta a segurança, pois quanto menos carros expostos nas vias e mais pessoas nas ruas, menores serão os números de roubos e furtos.

Ciclovia do Socorro na Av. de Pinedo, oferecendo mais segurança à população que utiliza a bicicleta como meio de transporte.
Ciclovia do Socorro na Av. de Pinedo, oferecendo mais segurança à população que utiliza a bicicleta como meio de transporte.

A via é pública, não é lugar para estacionar um bem privado. As ciclovias estão sendo implantadas nas ruas onde possuem espaços ociosos com estacionamento de carros. Assim, essas vias estão sendo devolvidas à população, através da implantação das estruturas cicloviárias, onde todos poderão utilizá-las para ir e vir com sua bicicleta, ao invés de estarem sendo ocupadas durante horas e até dias por carros parados. Além disso, segundo o Código de Trânsito Brasileiro (artigo 58), todas as vias onde não possuem ciclovias também podem ser utilizadas por ciclistas. Sendo assim, o argumento do jornal de que “aqui não é lugar para andar de bicicleta” é algo totalmente infundado, equivocado e ultrapassado.

Estudos mostram que a implantação de ciclovias ou o fechamento de ruas para pedestres aumenta significativamente os lucros nas vendas. Os maiores exemplos são as Ciclofaixas de Lazer, onde muitos comerciantes que colocaram paraciclos em frente aos seus comércios, puderam ver seu faturamento aumentar muito. Também nas ciclovias da Faria Lima, Artur de Azevedo, Eliseu de Almeida, Socorro, entre tantas outras, é possível perceber o aumento dos ciclistas. Existem até comércios dedicados a receber o público que utiliza a bike como meio de transporte como o Aro 27 Bike Café, o Las Magrelas, Dress Me Up e o KOF (King Of The Fork).

Ciclovia da Rua Artur de Azevedo, em Pinheiros e Ciclovia do Socorro, onde a demanda é frequente nos horários de pico.
Ciclovia da Rua Artur de Azevedo, em Pinheiros, onde a demanda é frequente nos horários de pico.

Na Zona Sul também já existem comércios especialmente para esse público: o Pedalada Bar vêm se preparando para receber bem os cidadãos que chegam de bicicleta, antes mesmo da implantação da ciclovia na Av. Lourenço Cabreira, que fica a poucos metros do local. Os donos desse estabelecimento relatam que existem uma grande demanda de clientes fiéis que chegam de bicicleta. Alguns comerciantes reclamam das ciclovias, porque não estão sabendo aproveitar a oportunidade, que essas estruturas estão trazendo para a região. Instalar paraciclos e oferecer descontos para os clientes que chegam de bicicleta é uma das medidas para o sucesso desses estabelecimentos. Lembrando que no lugar de apenas um carro (1 cliente), cabem cerca de 15 bicicletas (15 clientes).

A Avenida Lourenço Cabreira é a mesma que o vereador Goulart reclama equivocadamente por conta das ruas íngremes do Jardim Primavera. Hoje em dia, Sr. vereador, bicicletas possuem marchas, onde até os aclives mais difíceis podem ser vencidos de bicicleta. Se fosse apenas por conta das subidas, cidades como São Francisco não seriam uma das maiores referências do mundo no uso da bicicleta como meio de transporte.

Ciclovia em implantação na Av. Lourenço Cabreira, bairro com grande uso da bicicleta como transporte, devido a ser uma rota natural dos ciclistas que seguem em direção à Ciclovia Rio Pinheiros.
Ciclovia em implantação na Av. Lourenço Cabreira, bairro com grande uso da bicicleta como transporte, devido a ser uma rota natural dos ciclistas que seguem em direção à Ciclovia Rio Pinheiros.

O vereador ainda erra ao querer dar prioridade somente aos veículos automotores na Ponte Vitorino Goulart da Silva, sem oferecer nenhuma opção para os trabalhadores, que usam diariamente a bicicleta pela ponte e precisam chegar à Ciclovia Rio Pinheiros, que tem seu acesso bem ao lado. A ponte em questão, não oferece segurança para quem precisa atravessá-la a pé ou de bicicleta, por conta de diversos erros de projeto, que priorizam apenas os carros. Quem precisa atravessar de bicicleta é obrigado a ir pela calçada, pois os acidentes envolvendo veículos são frequentes, sem falar nos atropelamentos na alça de acesso à Cidade Dutra. Nesse acesso, os pedestres precisam atravessar em uma curva, onde não é possível ver se está vindo veículos por conta do guard-rail. Tudo devido à prioridade que é dada apenas aos carros, através das pistas que incentivam à alta velocidade e o desrespeito ao mais frágil.

A construção da Ciclovia da Av. Atlântica não está causando nenhuma devastação sequer, como afirma o jornal, pois quando há uma árvore, o trajeto é contornado para preservá-las, além de estar sendo feito um novo paisagismo no local. Essa ciclovia também irá oferecer uma ótima opção para que o cidadão possa fazer um exercício saudável durante seu trajeto ao trabalho, sem emitir gases na atmosfera. Já em tantas outras ruas, avenidas e pontes que foram construídas na cidade, quantas árvores não foram destruídas? E o pior, sem ciclovias e/ou replantio de árvores para compensar todo esse dano.

Novo trecho da Ciclovia na Av. Atlântica, que esquiva das árvores para preservá-las.
Novo trecho da Ciclovia na Av. Atlântica, que se esquiva das árvores para preservá-las.

O jornal ainda erra em afirmar que acidentes podem ocorrer com pedestres em áreas de grande circulação ou com ciclistas no canteiro da futura ciclovia da Av. Atlântica, que nem foi inaugurada e está previsto a implantação de grades nos trechos com distância menor que 50cm da guia. É extremamente raro que uma bicicleta consiga causar um óbito ou um grave ferimento. Um bom exemplo de compartilhamento com pedestres, é a ciclovia da Av. Sumaré, onde pedestres e ciclistas podem circular juntos e convivem muito bem, sem haver até hoje nenhum acidente e, mesmo se ocorrer, os acidentes causados por ciclistas não são graves. Ainda assim, o vereador Goulart tenta proibir a implantação de ciclovias em frente à escolas, através de seu projeto de lei que beneficia apenas quem anda de carro, sendo que as próprias crianças podem ir e vir à escola pelas estruturas cicloviárias, tornando-se mais ativas por estarem fazendo um exercício saudável, além de aprender mais sobre cidadania, humanizando mais os espaços públicos e contribuindo para o desenvolvimento da boa conduta de futuros motoristas e ciclistas.

Veja um outro caso semelhante, onde o ciclista expõe a realidade de todos pontos questionados por pessoas que não pedalam:

Os carros, por sua vez, são sempre os grandes causadores de acidentes fatais e isso não há como negar. O número de mortes nesses acidentes que acontecem diariamente em nosso país não é uma coisa “normal”, é coisa séria para ser pensada urgentemente. Esses números são maiores que as grandes guerras que já ocorreram no mundo inteiro, tanto atualmente como no passado. É triste ver que ainda temos políticos pouco preparados e atualizados para lidar com a mobilidade em bicicleta e preferem dar lugar ao modal motorizado, que causam cada vez mais mortes, acidentes e prejuízos bilionários à população com gastos em reparos de vias, indenizações e na saúde, onde grande parte das emergências são para atender vítimas de acidentes de trânsito, causados por veículos motorizados.

Que cidade queremos para o nosso futuro? Mais humanas ou mais congestionadas?

Acidente envolvendo veículos automotores na Av. Dona Belmira Marin. Nessa via não existem ciclovias e a vítima poderia ter sido um ciclista.
Acidente envolvendo veículos automotores na Av. Dona Belmira Marin. Nessa via não existem ciclovias e a vítima poderia ter sido um ciclista.

Jornal Notícias da Região (consulte páginas 2 e 15) :

http://www.youblisher.com/p/1045831-Jornal-Noticias-da-Regiao-Sul-Edicao-410

Site do jornal:

http://www.noticiasdaregiao.com.br

Ciclovias na extrema Zona Sul: uma necessidade urgente.

Por que a estrutura cicloviária não chega aonde mais precisamos?

São Paulo está passando por uma grande transformação, nunca antes vista na cidade, com as ciclovias que estão se espalhando por diversos bairros. É um grande incentivo e uma opção de transporte saudável para a população.

Porém, a grande maioria delas estão sendo instaladas em regiões do centro expandido e em bairros nobres. Já na periferia, são poucas as ciclovias que chegam. Na extrema Zona Sul, por exemplo, esse tipo de estrutura simplesmente inexiste, o que dificulta bastante os deslocamentos dos ciclistas ao trabalho em avenidas como a Teotônio Vilela, Interlagos, M’boi Mirim, etc.

O Grajaú, que é um dos bairros com maior utilização de bicicletas como meio de transporte na cidade, também não possui nenhuma estrutura, que atenda aos ciclistas com segurança. Pelo contrário, o único projeto para a região, que beneficiaria os cidadãos ao uso da bike, era o corredor de ônibus da Av. Dona Belmira Marin, que ganharia uma estrutura cicloviária em toda a sua extensão até o bairro do Jardim Eliana. Ao invés disso, a via está recebendo apenas faixas exclusivas de ônibus, que auxiliam bastante a população que utiliza o transporte público, mas colocam em risco a vida dos cidadãos que usam a bicicleta para ir e vir do trabalho ou até o bicicletário do Terminal Grajaú.

Avenida Senador Teotônio Vilela
Avenida Senador Teotônio Vilela

Mesmo que exista a intenção de criar infraestrutura cicloviária para a nossa região, não será possível sua implantação fora das vias principais, isso porque não existem vias secundárias capazes de proporcionar um trajeto rápido, sem grandes desvios ou aclives acentuados. O ideal seria a construção de uma estrutura ligando a Ciclovia do Trabalhador, no bairro do Socorro, até Parelheiros, através do eixo das avenidas Atlântica e Teotônio Vilela, utilizando o canteiro central e seguindo paralelamente ao corredor de ônibus. Além disso, também é essencial que existam estruturas cicloviárias desse tipo na Av. Guarapiranga, Estrada do M’Boi Mirim, Estrada de Itapecerica e demais vias da região.

Assine o abaixo-assinado e vamos juntos pedir à prefeitura para que a extrema Zona Sul esteja incluída de maneira sensata nos 400km de ciclovias. Para que seja pensado na mobilidade dos cidadãos que utilizam a bicicleta com frequência para ir e vir do trabalho e para incentivar esse meio de transporte nas regiões onde é mais preciso, o que pode melhorar e muito, a região com o trânsito mais caótico da cidade: a Zona Sul.