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Ofício 002/2021 da Câmara Temática de Bicicleta: Implantação de ciclorrotas em vias onde há espaço para ciclofaixas

São Paulo, 30 de março de 2021.

Ofício 003/2021 – CTB/CMTT – Câmara Temática de Bicicleta

Ao

Secretário de Mobilidade e Transportes Levi Oliveira

Presidente da CET Jair de Souza Dias

Chefe da Assessoria Técnica Maria Teresa Diniz

Assunto: Implantação de ciclorrotas em vias onde há espaço para ciclofaixas

Prezados,

Nós, conselheiros e conselheiras da CTB, somos a favor da ampliação da malha cicloviária com ciclovias e ciclofaixas e defendemos que as ciclorrotas não devem ser consideradas nas metas dessa gestão.

Segundo o Plano Cicloviário do município, a cidade deverá concluir no mínimo 673 km de novas estruturas, entre ciclovias e ciclofaixas. Para atingir tal meta, o orçamento deve refletir tanto a quilometragem das obras, quanto a qualidade do projeto e dos materiais empregados.

Consideramos que a qualidade do projeto envolve ações, investimentos e distribuição espacial que objetivem a segurança viária e impliquem aumento do número de ciclistas, o que é conhecido como demanda induzida. Esse fenômeno decorre do crescimento da sensação de segurança entre aqueles que decidem começar a usar a bicicleta como transporte. Somado a isso, o aumento do número de ciclistas também potencializa, por si só, a segurança das vias. Aqui defendemos que essa segurança não conseguirá ser construída baseada em ciclorrotas.

Estatisticamente, ciclofaixas e ciclovias influenciam na decisão de pedalar porque são protegidas do volume de tráfego, então ciclistas menos experientes se sentem seguros para usá-las (1). Caso haja uma queda, será naturalmente mais difícil sofrer lesões por outros veículos, visto que a faixa é exclusiva. Numa ciclorrota, no entanto, é possível que sejam atropelados, principalmente considerando o histórico de implementação de ciclorrotas no município, que são criadas sem medidas de acalmamento de tráfego. 

Um estudo em Chicago sugere que o desfecho de segurança em ruas em que ciclorrotas foram instaladas foi pior do que nas ruas com ciclofaixa ou naquelas em que nada foi instalado pensando no ciclista. Uma das explicações possíveis é uma falsa sensação de segurança gerada pela ciclorrota, pois, mesmo com ela, os riscos de quedas e atropelamentos permaneceram os mesmos. Analogamente, mais colisões entre automóveis e pedestres ocorrem quando há apenas a adição de uma faixa de pedestres, sem o tratamento de outras questões de segurança viária (2). 

Uma dessas questões é a cultural. As ciclorrotas reiteram a crença de que o trajeto do automóvel nunca deve ser alterado por conta de outros modais, o que também é percebido por ciclistas que escolhem pedalar na calçada, geralmente por se sentirem mais seguros em relação aos motoristas que se aproximam perigosamente em alta velocidade. Considerando a visão negativa sobre a bicicleta que ainda permeia o senso comum – decorrente da falta de investimentos para o rápido aumento do número de ciclistas –  e a diferença de tamanho e força entre ambos os veículos, bicicleta e carro, expomos ser temerária a decisão de investir em ciclorrotas (3).

Sabemos que as ciclorrotas são mais facilmente instaladas e elimina a dificuldade política para negociar espaço para a bicicleta (2; 3).  No entanto, devemos lembrar que a prioridade deve ser sempre a proteção à vida, em que as ciclorrotas já demonstraram ineficácia, ou eficácia duvidosa (2). Elas jamais trarão o necessário aumento no número de ciclistas gerados por uma ciclovia ou ciclofaixa, nem aumentarão a segurança para esse modal na cidade, de acordo com a estadunidense National Association of City Transportation Officials (NACTO). Enfim, elas jamais devem ser implementadas em vias em que há espaço para se implantar uma ciclofaixa (4).

Temos acompanhado a criação de ciclorrotas recentes no município, sem motivo aparente, em vias nas quais caberiam ciclofaixas nas medidas definidas pelo Manual de Sinalização Urbana Volume 13 da própria CET. Citamos abaixo as ciclorrotas instaladas sem diálogo com a Câmara Temática de Bicicleta ou seus conselheiros:

  • Rua Itália, no Jardim Europa;
  • Rua Potiguar Medeiros, em Pinheiros (viário que tem velocidade de 40km/h e ciclorrota erroneamente  contabilizada como ciclofaixa no Mapa de Infraestrutura Cicloviária (5);
  • Rua José Vicente Cavalheiro e Rua Santo Arcádio, na Chácara Santo Antônio (possuem placas de ciclorrota, mas não há sinalização horizontal);

Nos casos citados, não foram feitas medidas de acalmamento de tráfego para forçar a redução de velocidade dos veículos motorizados e, consequentemente, o ciclista corre risco de ser atropelado fatalmente por estar desprotegido. Como conselheiros da Câmara Temática de Bicicleta, reforçamos que ciclorrotas só devem ser implantadas caso a rua não possua espaço para receber ciclovia ou ciclofaixa e que todas as ciclorrotas devem ser implantadas com elementos acalmadores de tráfego (tais como chicanas, lombadas, estreitamentos da via, a instalação de radares, dentre outros) e os pictogramas devem ser desenhados centralizados na faixa de rolagem, não junto à zona de abertura de portas do estacionamento. Caso haja áreas de estacionamento e/ou mais de uma faixa em cada sentido da via, deve ser implantada ciclovia ou ciclofaixa conforme o Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias da Secretaria de Mobilidade e Transportes, publicado em 2020 (6). 

Essas ciclorrotas não adensam a malha cicloviária e não aumentam em conjunto as seguranças objetiva e percebida (1), sendo responsáveis por frear o aumento do número de ciclistas e potencializar o número de lesões e mortes.  Ressaltamos que nenhuma dessas intervenções foram discutidas em reuniões com membros da CTB, nem faziam parte das prioridades já definidas pela sociedade civil.

Esperamos que as informações apresentadas sejam úteis e nos disponibilizamos para conversar sobre as infraestruturas cicloviárias existentes e planejadas. Novamente, nos colocamos à disposição para possíveis esclarecimentos e reiteramos nosso compromisso de dialogar de forma democrática e construtiva. Para isso, deixamos o e-mail de contato dos conselheiros: camara-tematica-bicicleta@googlegroups.com .   

Atenciosamente,

Câmara Temática da Bicicleta

do Conselho Municipal de Trânsito e Transportes

da Prefeitura Municipal de São Paulo

Para entrar em contato, envie um e-mail para camara-tematica-bicicleta@googlegroups.com .

REFERÊNCIAS:

1. Fowler, Stephanie L.; Berrigan, David; Pollack, Keshia M. (2017). Perceived barriers to bicycling in an urban U.S. environment. Journal of Transport & Health, (), S2214140517301263–. doi:10.1016/j.jth.2017.04.003      

2. N. N. Ferenchak and W. E. Marshall, Advancing healthy cities through safer cycling: An examination of shared lane markings, International Journal of Transportation Science and Technology, https://doi.org/10.1016/j.ijtst.2018.12.003

3. Furth, Peter G, Daniel M Dulaski, Dan Bergenthal, & Shannon Brown. “More Than Sharrows-Lane-Within-A-Lane Bicycle Priority Treatments in Three US Cities.” 2011 Transportation Research Board Annual Meeting conference paper, Transportation Research Board, Washington, DC: 2011.

4. Mcentee, Brian. What are sharrows? Our guide to the notorious shared lane marking Bicycling magazine. 27 de agosto de 2020. Disponível em: https://www.bicycling.com/news/a20044419/what-are-sharrows-used-for/. Acesso em: 23 de março de 2021.

5. Maps de Infraestrutura Cicloviária da CET / Prefeitura de São Paulo:  http://www.cetsp.com.br/consultas/bicicleta/mapa-de-infraestrutura-cicloviaria.aspx  . Acesso em 29 de março de 2021.

6. Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias da SMT / Prefeitura de São Paulo: http://www.manualurbano.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/cetmanual-de-desenho-urbano00baixa.pdf . Acesso em 29 de março de 2021.

Ofício 002/2021 da Câmara Temática de Bicicleta

São Paulo, 19 de março de 2021

Ofício 002/2021 – CTB/CMTT

Ao:

Secretário de Mobilidade e Transportes Levi Oliveira

Presidente da CET Jair de Souza Dias

Chefe da Assessoria Técnica Maria Teresa Diniz

Assunto: Inclusão de demandas no Programa de Metas 2021-2024

Prezados,

A Câmara Temática de Bicicleta, parte do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte, vem solicitar a inclusão das nossas demandas específicas no Programa de Metas a ser apresentado pela gestão.

Cientes de que haverá espaço para participação da sociedade civil, nós solicitamos que as discussões internas feitas pelos servidores municipais levem em consideração a inclusão dos seguintes itens. Esperamos que eles sejam pleiteados pela equipe da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte, bem como da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego, a fim de tornar mais completo, focado e eficiente o que será levado para consulta pública.

Metas solicitadas pela Câmara Temática da Bicicleta:

Meta 0: Aplicar todas as estratégias recomendadas da “Visão Zero” para reduzir o índice de mortes no trânsito para valor igual ou inferior a 2 a cada 100 mil habitantes, por ano.

Descrição: O indicador considera óbitos ocorridos até 30 dias após o acidente de trânsito e a média de ocorrências nos 12 meses anteriores.

Unidade de medida: Unidade / 100 mil.

Valor base: 6,07 a cada 100 mil habitantes (ano base 2020).

Meta 1: Conectar todas as 32 Subprefeituras via rede cicloviária composta por ciclofaixas e ciclovias. 

Descrição: Hoje 20 Subprefeituras não têm conexões cicloviárias com o Centro da Cidade, de modo que seus 7.130.457 milhões de habitantes (dado de 2010) não têm garantida a opção de pedalar de forma segura até aquela região. A prefeitura deve utilizar a expansão da malha cicloviária de modo que todas as subprefeituras tenham pelo menos uma rota contínua conectando à subprefeitura Sé. 

Unidade de medida: Percentual (%) de subprefeituras conectadas ao centro por ciclovias/ciclofaixas. 

Valor base: 12 subprefeituras tem conexão com o centro (37,5%).

Meta 2: Expandir a malha cicloviária existente em 1.000km incluindo eixos cicloviários 

Descrição: Expandir, através da construção de ciclovias e ciclofaixas, a malha cicloviária do município incluindo a conexão de eixos cicloviários existentes (por exemplo, na Radial Leste, de modo a conectar a Zona Leste com o Centro) e a criação de novos eixos (por exemplo, na Marginal Tietê, de modo  a conectar a Zona Leste e Norte com a Ciclovia da Marginal Pinheiros). Os 1.000km incluem os 677 km previstos no Plano Cicloviário (publicado em 2019), acrescidos de mais 223km devido à situação da pandemia.  

Unidade de medida: Quilômetro (km) de novas ciclovias e ciclofaixas adicionado à malha cicloviária. 

Meta 3: Transformar 200 km de ciclofaixas em ciclovias.

Descrição: Requalificação de 200 km de ciclofaixas, transformando-as em ciclovias segregadas do trânsito, priorizando as rotas em avenidas arteriais, de alta demanda ou alto índice de infrações.

Unidade de medida: Quilômetro (km) de via com mudança de tipologia.

Valor base: 0 km. Até hoje nunca houve requalificação de ciclofaixa em ciclovia.

Meta 4: Criar 12.000 vagas em bicicletários urbanos públicos.

Descrição: Criação de bicicletários públicos, gratuitos, de livre uso pela população, com horário de funcionamento no mínimo equivalente ao funcionamento do transporte coletivo. 

Unidade de medida: Quantidade de vagas disponíveis (unitário).

Valor base: Atualmente existem 6.961 vagas em bicicletários urbanos, segundo levantamento da SMT de março de 2021.

Meta 5: Instalar 12.000 paraciclos de rua

Descrição: Instalar paraciclos, do modelo aprovado pela CET, em logradouros e espaços públicos (incluindo escolas).

Unidade de medida: Quantidade de paraciclos instalados (unitário).

Valor base: O levantamento da SMT de Março/2021 apresentado à CTB indica 904 paraciclos instalados.

Meta 6: Regulamentar o programa BikeSP.

Descrição: Regulamentação e implementação do programa BikeSP, Lei Municipal nº 16.547, de 21 de setembro de 2016, que institui o pagamento dos estudantes e trabalhadores que utilizarem a bicicleta como modal de transporte. Cadastrar pelo menos 200.000 estudantes e 300.000 trabalhadores.

Unidade de medida: Usuário cadastrado (unitário).

Valor base: O BikeSP não está regulamentado atualmente.

Meta 7: Desativação total do Elevado João Goulart, o “Minhocão”, para automóveis motorizados.

Descrição: Fechamento total e permanente do Elevado João Goulart para a circulação de automóveis motorizados, conforme previsto no Plano Diretor Estratégico do município, independente da destinação de parque ou desmonte.

Unidade de medida: Sim ou não.

Valor base: Atualmente não está fechado.

Meta 8: Ampliar as Campanhas de Educação de Trânsito sobre mobilidade ativa, incluindo combate ao assédio sexual  

 Descrição: Oferecer programas para todas as escolas públicas e privadas, motoristas de ônibus e táxis, bem como vincular semestralmente mensagens (educativas e protetoras) nas diferentes mídias e regiões da cidade. 

Unidade de medida: Número de campanhas e abrangência dos programas (incluindo escolas, regiões e rede de transporte público) .

Valor base: Desconhecido.

Meta 9: Ampliar e tornar permanente o programa “Sexta Sem Carro” no centro.

Descrição: O programa “Sexta Sem Carro”, que acontece na última 6a feira de cada mês, deve ser progressivamente expandido, até se tornar política permanente toda sexta-feira, com sinalização, placas e intervenções viárias substituindo os agentes da CET que fazem a orientação do programa temporário hoje.

Unidade de medida: Dias de fechamento por ano, mês e semana.

Valor base: Atualmente apenas 12 dias por ano (última sexta feira de cada mês).

Meta 10: Contratar e ampliar o número de Agentes de Trânsito da CET.

Descrição: Contratação e ampliação do número de Agentes de Trânsito da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego para atender a recomendação do Denatran de 1 agente para cada 1.000-2.000 veículos na cidade, de acordo com recomendação de relatório do TCM (2017). 

Unidade de medida: Agentes contratados (pessoa).

Valor base: Conforme recomendação do TCM publicada em: DOC16023082017 (70) https://static-files.folhadirigida.com.br/uploads/banco_editais/cet-sp-3.pdf 

Meta 11: Construir 13 pontes cicloviárias.

Descrição: Construção das 13 pontes para ciclistas e pedestres, e pontes com infraestrutura cicloviária, previstas no Plano Cicloviário

Unidade de medida: Unidade.

Valor base: Zero. 

Meta 12: Criar políticas específicas para aumentar a igualdade de gênero dos usuários diários da bicicleta.

Descrição: Criar políticas específicas para reduzir a disparidade de gênero entre ciclistas homens e mulheres na cidade.

Unidade de medida: Pontos percentuais de diferença reduzidos (p.p.).

Valor base: 70 pontos percentuais de disparidade. Homens 85% / Mulheres 15% (pesquisa Origem e Destino 2017).

Novamente, nos colocamos à disposição para possíveis esclarecimentos e reiteramos nosso compromisso de dialogar de forma democrática e construtiva.

Atenciosamente,

Câmara Temática da Bicicleta

do Conselho Municipal de Trânsito e Transportes

da Prefeitura Municipal de São Paulo


Veja os outros ofícios da Câmara Temática de Bicicleta:
Ofício 001/2021


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CPM Vila da Mariana questiona CET sobre a demora da ciclofaixa da Rua Luis Góis


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Ofício 001/2021 da Câmara Temática de Bicicleta

São Paulo, 22 de fevereiro de 2021.

Ofício ao novo Secretário de Mobilidade e Transportes Levi Oliveira

Prezado,

a Câmara Temática de Bicicleta é parte do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte, conselho técnico ligado à Secretaria de Mobilidade e Transportes da Prefeitura de São Paulo. Os conselheiros redigem este ofício para dar boas vindas ao novo secretário e para reforçar algumas das principais demandas da cidade e objetivos desta câmara temática no que diz respeito à ciclomobilidade.

Esperamos que as informações abaixo sejam úteis e nos disponibilizamos para conversar sobre a mobilidade ativa, a mobilidade por bicicleta, a execução do Plano de Segurança Viária, o conceito de Visão Zero e o cumprimento da Agenda 2030, que a cidade se comprometeu a atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU. Caso deseje entrar em contato com os conselheiros, procure a pessoa que enviou este ofício ou envie um e-mail para camara-tematica-bicicleta@googlegroups.com .

Aumento orçamentário das políticas de mobilidade urbana

Tendo em vista o planejamento municipal, os compromissos assumidos com a vida, com a lei e com a boa administração pública, solicitamos que sejam garantidos os recursos para a execução do Plano de Segurança Viária, para a implantação dos 673 quilômetros de novas ciclovias previstas no Plano Cicloviário para a gestão 2021-2024, assim como ciclovias nas pontes sobre as Marginais Pinheiros e Tietê e a construção de bicicletários nos terminais de ônibus e estações Metrô e CPTM.

Nós, membros da Câmara Temática de Bicicleta, cumprindo papel de interlocutores da sociedade civil, reconhecemos que não faltam mais fundamentos técnicos, verbas, projetos, audiências públicas e diálogos participativos para que as demandas dos ciclistas sejam atendidas.   

Os investimentos em melhorias para ciclistas têm sido baixos frente às necessidades e os benefícios. No período 2017-2020 a expansão da malha cicloviária reduziu o ritmo, a prefeitura não conseguiu cumprir a entrega concluída da meta de infraestrutura cicloviária nova ou requalificada, ainda que tenha feito a contratação da maior parte dos trechos.

Segundo o Plano Cicloviário do município, a cidade deverá concluir 673 km de novas estruturas, entre ciclovias e ciclofaixas. Para atender tal meta, o orçamento deve refletir tanto a quilometragem das obras, quanto a qualidade do projeto e dos materiais empregados.

Figura extraída do Plano Cicloviário destacando as principais metas para construção em 2021-2024.

Compromissos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU que a cidade firmou acordo.

A alocação orçamentária mencionada é essencial para cumprir a Agenda 2030, da qual a cidade é signatária,  e criou a Comissão Municipal para o Desenvolvimento Sustentável para cumprir. Os investimentos, conforme indicados aqui, ajudam a cidade a cumprir os respectivos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU: (3) Saúde e Bem-estar, (9) Indústria, inovação e infraestrutura, (10) Redução das desigualdades, (11) Cidades e comunidades sustentáveis e (12) Consumo e produção sustentáveis. Especificamente 3.1; 3.4; 3.6; 3.9; 9.1; 9.4; 9a; 10.1; 10.2; 10.3; 10.4; 11.2; 11.3; 11.6; 11.7 e 12c,

Redobramos a importância de realizar, o quanto antes, os investimentos na infraestrutura cicloviária. É conhecido no planejamento urbano e viário o fenômeno da Demanda Induzida, onde as ações, investimentos e distribuição espacial promovidos pelo poder público estimulam o uso de um meio de transporte, como a bicicleta, além do crescimento natural da demanda. Estas obras mencionadas serem incluídas no orçamento de 2021 reforçam o uso da mobilidade ativa, alinhado com a diretriz da Política Nacional de Mobilidade Urbana e ao mesmo tempo retira usuários dos veículos motorizados individuais, carros e motos, o que tem o efeito de reduzir colisões e atropelamentos no trânsito, reduzir a poluição sonora e atmosférica, reduzir congestionamentos e reduzir a manutenção necessária pela infraestrutura viária utilizada por veículos automotores, trazendo economia para o erário.

Bicicleta, o combate à Covid-19 e saúde pública

Grande parte dos trabalhadores essenciais, como entregadores, usa a bicicleta como meio de transporte. Os contadores automáticos da CET demonstram que a redução em número de viagens de bicicleta é menor do que comparado com outros modais, como carros. Além disso, é frequente que os contadores registrem um aumento na quantidade de ciclistas nos finais de semana, devido ao uso das infraestrutura cicloviária para o lazer e a prática de atividades físicas. Segundo estudos recentes, andar de bicicleta é o meio de transporte que menos espalha o vírus da COVID-19 porque ocorre em ambiente aberto, permite maior distanciamento, melhora o condicionamento físico e provoca muito menos poluição (conforme considerações da Organização Mundial da Saúde, Nações Unidas, entre outros). 

Além disso, dados da Secretaria de Saúde demonstram que vítimas do trânsito são os principais ocupantes dos leitos hospitalares, em particular das UTIs. Se faz necessária a criação de políticas permanentes para reduzir essas ocorrências, com a construção de obras de acalmamento de tráfego, a implantação de ciclovias e o aumento da fiscalização. Dessa forma, diminuindo as ocorrências de colisões e atropelamentos, reduz-se a sobrecarga do SUS e a dificuldade de atendimento dos pacientes de Covid-19. 

Mortes e Visão Zero

Em 2019, na cidade de São Paulo, tivemos 36 ciclistas mortos pela violência no trânsito. Em 2020, até setembro, tivemos mais 24 ciclistas mortos (INFOSIGA). Reforçamos a máxima da Visão Zero

Todas as mortes no trânsito são evitáveis, portanto são todas inaceitáveis.

O conjunto de mortes na cidade de São Paulo deixa claro que as pessoas praticantes da mobilidade ativa não estão recebendo os investimentos necessários em sua segurança. Justamente os usuários mais vulneráveis da cidade, e aqueles que deveriam ser prioridade nas políticas públicas, de acordo com a Política Nacional de Mobilidade Urbana e do Plano de Mobilidade Urbana do Município de São Paulo.

Ações esperadas 

Tendo em vista este contexto, solicitamos as seguintes medidas para serem tomadas:

  1. Inclusão da CTB na discussão do Plano Plurianual (PPA), da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA) com a SMT na gestão;
  2. Inclusão da CTB no estabelecimento de metas para o Plano de Metas da gestão;
  3. Separação das rubricas de manutenção preventiva/corretiva das ciclovias, da rubrica de expansão e novas conexões da malha cicloviária;
  4. Aumento da verba para expansão da malha cicloviária;
  5. Rubrica para instalação de bicicletários públicos nos terminais urbanos;
  6. Criação de rubrica para pagamento do programa BikeSP criado pela lei 16.547/16 e cuja regulamentação está sendo finalizada pela SMT;
  7. Aumento da verba para execução do Plano de Segurança Viária;
  8. Aumento da verba para as obras do Rota Escolar Segura, Áreas Calmas, Frente Segura, Territórios Educadores e outras intervenções de acalmamento de tráfego e pedestrialização do viário;
  9. Criação de concurso para agentes e técnicos da CET para superar a defasagem do quadro de servidores, sem reposição desde 2008, conforme recomendação do Tribunal de Contas do Município;
  10. Previsão orçamentária para realização das conexões Rota Márcia Prado nos limites do município, em articulação com o Governo Estadual;
  11. Execução das conexões do sistema de parques em conjunto com o Governo Estadual;
  12. Verba para consolidação da Rota Turística de Parelheiros, e ações para o cicloturismo ambiental na zona sul;
  13. Rubrica para a criação de pontos de apoio para ciclo entregadores espalhados pela cidade, incluindo banheiros, bebedouros, pontos de recarga, área para descanso, alimentação, etc.;
  14. A verba para expansão da malha cicloviária deve priorizar as obras apontadas como prioritárias regionais durante as oficinas participativas do Plano Cicloviário do município;
  15. Rubrica para instalação de paraciclos como equipamentos públicos na calçada;
  16. Que os 30% do Fundurb, que devem necessariamente ser investidos em mobilidade urbana, sigam as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, que priorizam o Plano Emergencial de Calçadas e o Plano Cicloviário por serem mobilidade ativa;
  17. Que haja urgência na implantação de estrutura cicloviária das 13 pontes previstas no Plano Cicloviário;
  18. Ampliação da restrição do funcionamento do Elevado João Goulart, o Minhocão, como via para automóveis, cumprindo o definido em lei pelo Plano Diretor Estratégico da cidade que prevê sua gradual desativação;
  19. Que as consultas públicas feitas às intervenções urbanas tenham respostas individualizadas para as sugestões feitas à população, similar ao processo feito na construção do Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias;
  20. Políticas para expansão dos sistemas de compartilhamento de bicicletas para todas as regiões da cidade.

Novamente, nos colocamos à disposição para possíveis esclarecimentos e reiteramos nosso compromisso de dialogar de forma democrática e construtiva.

Atenciosamente,

Câmara Temática da Bicicleta

do Conselho Municipal de Trânsito e Transportes

da Prefeitura Municipal de São Paulo


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Reunião com a CET/SMT em 04/12: O que esperar do final de 2020 e dos próximos 4 anos

Na sexta passada (03/12), parte da equipe do Bike Zona Sul se reuniu com a Secretaria de Mobilidade e Transportes (SMT) e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Por conta da pandemia de Covid19, o encontro foi realizado com um grupo bem reduzido, sendo apenas 3 representantes da Prefeitura e 3 membros do BZS, e foram tomados vários cuidados, como o uso de máscaras e vários momentos de higienização com álcool 70%.

Com um mapa aberto em um telão, começamos avaliando obras em andamento na Zona Sul:
– Implantação de ciclofaixas/ciclovia na Chácara Santo Antônio e Granja Julieta (Av. Chucri Zaidan, R. Verbo Divino e R. Granja Julieta)
– Implantação de ciclofaixas na Aclimação (Rua Paula Ney) e Vila Clementino (R. Padre Machado – que terá as sarjetas reformadas e será pintada novamente)
– Implantação e melhorias na ciclofaixa da Av. Guido Caloi para impedir invasões de carros
– Conexão que será feita entre a ciclofaixa da Av. Hebe Camargo e a Ponte Laguna (que será sinalizada ainda essa semana)
– Vistoria realizada na Cidade Dutra (avenidas Jair Ribeiro da Silva, Lourenço Cabreira e Manoel Alves Soares)
– Conexão entre as ciclofaixas das avenidas Jabaquara (Estação São Judas), Eng. George Corbisier e Eng. Armando de Arruda Pereira, no Jabaquara e Cidade Ademar (previstas para 2020)

Segundo a CET, todas essas estruturas serão finalizadas com as melhorias solicitadas ainda esse ano. Elas fazem parte da meta do prefeito Bruno Covas, de implantar 173,5 km de novas ciclovias e ciclofaixas até o final de 2020.

Após comentarmos as obras em andamento, passamos a sugerir novos trajetos para ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas pela Zona Sul. Foram várias sugestões:
– Conexões no Ipiranga, Moinho Velho, Sacomã e Heliópolis
– Conexões e melhorias na região do Largo do Socorro (Av. Atlântica)
– Novas ciclos na região da R. Miguel Yunes
– Conexão entre a ciclovia em construção na Av. Nossa Senhora do Sabará e a Granja Julieta/Chácara Santo Antônio
– Criação de uma rota paralela ao eixo das avenidas Vereador José Diniz/Ibirapuera indo até Santo Amaro e Jardim Marajoara, a partir da ciclofaixa existente na Alameda dos Jurupis, em Moema

Durante a reunião ficamos sabendo, em primeira mão, que o Tribunal de Contas do Município (TCM) continua se posicionando contra ciclovias. Pelo que nos disseram durante a reunião, o TCM está bloqueando a licitação por uma questão simples em relação ao concreto que será usado nas novas ciclovias. A demora do TCM em liberar a licitação está atrasando a construção de ciclovias importantes por toda cidade:
– Avenidas Roque Petroni Júnior/Vicente Rao/Vereador João de Luca/Cupecê
– Av. Indianópolis/Av. República do Líbano
– R. Miguel Yunes
– Av. Carlos Caldeira Filho
– Av. Prof. Abraão de Morais
– Av. Cursino
– Av. Miguel Estéfano
– Av. Dom Pedro I
– Av. Almirante Delamare
– Av. Treze de Maio
– Radial Leste (ZL)
– Ponte do Jaguaré (ZO)
– Ponte Cidade Universitária (ZO)
– Av. Ermano Marchetti/Av. Marquês de São Vicente (ZN)
– Av. Miguel Conejo/Av. João Paulo I (ZN)
– Avenidas Raimundo Pereira Magalhães/Mutinga/Anastácio (ZN)

O BZS também reforçou a necessidade de reduzir o limite de velocidade em algumas vias, assim como realizar medidas de acalmamento de tráfego (como o estreitamento de vias e instalação de radares). Uma boa notícia foi a confirmação da licitação de novos radares, e nós nos voluntariamos para sugerir locais para a instalação deles. Enquanto falávamos de fiscalização, um dos membros da CET utilizou o termo “acidentes”, mas se corrigiu em seguida, falando “atropelamentos e batidas”. Isso demonstra um sinal de mudança em concordância com o conceito de Visão Zero apresentado pela Câmara Temática de Bicicleta.

Os representantes da Prefeitura ainda falaram que o prefeito está comprometido em implantar 300 km de ciclovias/ciclofaixas e 200 km de ciclorrotas entre 2021 e 2024. Lembramos que ciclorrotas não protegem os ciclistas se não forem feitas com acalmamento de tráfego e fiscalização. O funcionário da CET afirmou que as ciclorrotas seriam feitas com estreitamento de vias, radares, rotatórias e outras medidas de acalmamento conforme a necessidade. Ele também disse que as ciclorrotas serão sinalizadas somente após concordância dos ciclistas.

A reunião foi muito produtiva e teremos outra em breve. Esperamos que essas reuniões se tornem contínuas nos próximos anos para que possamos fazer mais sugestões para melhorar a segurança em São Paulo. Também esperamos que a SMT e a CET considerem nossas sugestões para os trajetos de novas ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. Esse trabalho pode resultar em importantes melhorias pra cidade e nós do Bike Zona Sul acreditamos que podemos construir juntos!

(Equipe Bike Zona Sul: Kristofer Willy, Paulo Alves e Thomas Wang)

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Visão Zero: O que os ciclistas querem para os próximos 4 anos

Ontem, 01/12/2020 a Câmara Temática de Bicicleta (CTB) se reuniu com a Prefeitura pela última vez no ano. Em breve contaremos sobre a reunião e a compartilharemos o material que a Prefeitura apresentou (ainda não recebemos). Enquanto o material da Prefeitura não chega, compartilhamos a apresentação feita por conselheiros da CTB.

O conceito de Visão Zero defende que todas as mortes no trânsito são evitáveis. Ele se baseia em 4 pilares: infraestrutura, educação, fiscalização e punição. Seguindo o Visão Zero, os conselheiros Kristofer Willy, Sasha Hart e Thomas Wang apresentaram as principais demandas dos integrantes da CTB:

  • A volta da participação do prefeito nas reuniões da CTB, conforme previsto em regimento
  • A retomada de campanhas educativas da Prefeitura sobre a preferência de ciclistas e pedestres (com falas do prefeito)
  • Implantação de novas estruturas em vias onde há registros de atropelamentos e/ou forem sugeridas por ciclistas
  • Redução dos limites de velocidade em vias onde há registros de atropelamentos/colisões
  • Aumento na fiscalização para combater a impunidade
  • Alterar o uso do termo “acidente”, que consideramos inadequado e reforça a sensação de impunidade

Durante a apresentação foram citados casos de atropelamentos recentes como exemplos de mortes evitáveis. Esperamos que a Prefeitura considere nossas sugestões e incorpore-as no Plano de Segurança Viária, tanto na teoria quanto na prática.

A apresentação completa está abaixo e, para quem quiser fazer download, disponibilizamos em PDF aqui. Caso desejem utilizar o material, pedimos que entrem em contato conosco pelo Facebook ou Instagram para compartilharmos a versão em formato PPT.

(Equipes Bike Zona Sul e Bike Zona Oeste: Kristofer Willy, Sasha Hart e Thomas Wang)

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Ciclovias do Rio Pinheiros: Como estão e o que queremos

As ciclovias existentes nas margens do Rio Pinheiros são essenciais para quem se desloca de bicicleta nas zonas Sul e Oeste, em especial para quem é do Extremo Sul. Pensando nisso, desde sempre o BZS luta por melhorias nas margens do Rio Pinheiros como mais acessos e mais segurança para ambas ciclovias.

Conhecida como Ciclovia Rio Pinheiros por ter sido inaugurada primeiro, a ciclovia da Margem Leste, foi concedida em foi concedida em maio de 2020. Ela ficou fechada cerca de 5 meses, e nós fizemos duas vistorias em julho, sendo que a ciclovia foi reaberta no início de agosto. Atualmente ela está sendo administrada pela Farah Service e possui um perfil no Instagram, por onde os ciclistas podem tirar dúvidas e sugerir melhorias,

Já a Ciclovia do Trabalhador, mais conhecida como Ciclovia da Margem Oeste, permanece sob responsabilidade do Governo do Estado, que recentemente lançou um edital para concessão de grande parte da Margem Oeste do Rio Pinheiros.

O Bike Zona Sul continua lutando para tornar ambas ciclovias mais acessíveis e mais seguras, por isso fez relatório sobre as ciclovias nas duas margens do Rio Pinheiros. Nosso trabalho começou em agosto, quando mapeamos todos acessos da Ciclovia da Margem Oeste, tanto oficiais quanto populares. Feito o reconhecimento fotográfico, criamos uma planilha com a localização e detalhes sobre todos acessos em ambas ciclovias.

Logo depois a expedição fotográfica e a planilha, convidamos o Bike Zona Oeste para nos ajudar. Após meses de trabalho, criamos o Relatório de Acessibilidade e Infraestrutura Cicloviária das Ciclovias nas margens do Rio Pinheiros. O relatório está disponível em PDF aqui.

Já compartilhamos o relatório com Alexandre Baldy, secretário de Transportes Metropolitanos, e com Michel Farah, o gestor da Ciclovia Rio Pinheiros/Margem Leste. Nos colocamos à disposição para dialogar, fazer sugestões e buscar melhorias para as duas ciclovias.

Para facilitar a leitura de todos, colamos o relatório abaixo. Está em texto para preservar os links.

Ciclovias das margens do Rio Pinheiros
Relatório de Acessibilidade e Infraestrutura Cicloviária

Este relatório tem como objetivo propor melhorias urgentes para a circulação de ciclistas para fins de mobilidade, logística, lazer, esporte e turismo nas margens do Rio Pinheiros, na cidade de São Paulo. Para isso, é necessário ampliar as ciclovias em ambas margens, assim como construir novos acessos e outras estruturas de apoio como guaritas e banheiros. Como qualquer intervenção no Rio Pinheiros e áreas próximas é complexa, buscamos reunir informações úteis para auxiliar o Governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura do Município de São Paulo em projetos relacionados ao Rio Pinheiros.

Ciclovia Rio Pinheiros / Ciclovia da Margem Leste

Inaugurada em 2010, a ciclovia percorre a Margem Leste do Rio Pinheiros entre o número 830 da Rua Miguel Yunes e o Parque Villa-Lobos/Estação Villa-Lobos – Jaguaré da Linha 9 Esmeralda. Possui extensão total de 21,5 quilômetros. No caminho passa pelos bairros de Santo Amaro, Brooklin, Itaim Bibi, Pinheiros e Alto de Pinheiros.  

Em 2013 a ciclovia teve seu trajeto interrompido por conta das obras da Linha 17 do Metrô, ainda em andamento. O trecho entre a Estação Granja Julieta e a Ponte Octavio Frias de Oliveira (Estaiada) está bloqueado devido às obras. Para se deslocar entre as zonas Sul e Oeste os ciclistas precisam subir uma escada provisória na Ponte João Dias, atravessá-la desmontados e descer por outra escada provisória na Ciclovia da Margem Oeste para continuar o trajeto, onde só conseguem atravessar de volta para a Margem Leste na Ponte Cidade Jardim, por meio de uma terceira escada provisória. Nas escadas há pequenas rampas adaptadas para bicicletas, porém elas são inadequadas para alguns tipos de bicicleta e o ângulo/dimensões da escada são ruins para a maioria dos ciclistas. Além disso, o estado de conservação das escadas é precário pois elas já estão ali há cerca de 7 anos.

Segundo o site da CPTM, atualmente existem 6 acessos oficiais:

Ressalta-se que o acesso da Passarela da EMAE é através de escadaria com trilho, portanto inacessível para muitas pessoas, como handbikers e adultos com crianças em cadeirinha. É recomendável que seja construída uma rampa com melhor acessibilidade, nos moldes do Parque do Povo ou da Ponte Laguna. 

Há diversos projetos de acessos já aprovados e anunciados, com verba de diferentes origens:

  • Estação Villa-Lobos-Jaguaré, via CPTM (suspenso)
  • Ciclopassarela Bernardo Golfarb (rebatizada com Ciclopassarela Marina Harkot), via Operação Urbana Consorciada Faria Lima (falta licitação da obra)
  • Ciclopassarela Berrini-Panorama, via Operação Urbana Consorciada Faria Lima (falta licitação do projeto executivo e obra)
  • Estação Morumbi, via CPTM (falta finalizar a obra)


Outros problemas na Margem Leste

  • Falta de iluminação 
  • Conflito com automóveis (em direção contrária ao preconizado pelo Código de Trânsito Brasileiro) 
  • Conflito com ciclistas em alta velocidade 
  • Horário restrito 

Demandas específicas

  • Construção urgente dos novos acessos mencionados acima, em paralelo
  • Adequar o fluxo conforme preconizado pelo Código de Trânsito Brasileiro
  • Inibir abusos de velocidade e comportamentos abusivos, sobretudo em locais mais perigosos e em horários de maior movimento de ciclistas menos experientes 
  • Instalar iluminação
  • Estender horário de uso
Ciclovia do Trabalhador / Ciclovia da Margem Oeste

Começa no Largo do Socorro, percorre a Margem Oeste do Rio Pinheiros e acaba na Ponte Cidade Jardim. Possui extensão de 12 quilômetros e passa pelos bairros do Socorro, Guarapiranga, Capão Redondo, Panamby, Morumbi e Butantã.

Atualmente existem 6 acessos oficiais:

É importante destacar que, além dos acessos acima, existem ‘acessos populares`. Esses acessos foram criados por usuários de forma extraoficial, mas atualmente são usados:

Além disso, há 4 acessos previstos, com verba de diferentes origens:

Outros acessos desejados na Margem Oeste

Outros problemas na Margem Oeste

  • Falta de iluminação
  • Falta de policiamento e outras medidas para melhorar a segurança 
  • Falta de transposições para Margem Leste
  • Falta de conexão com as infraestruturas próximas:
    • Av. Luiz Gushiken/Guido Caloi
    • R. Dr. José Augusto de Queiroz/Jóquei Clube
    • R. Agostinho Cantu/rede USP-Estação Butantã

Demandas específicas

  • Construção dos novos acessos mencionados acima, sobretudo a  ciclopassarela Berrini-Panorama, na Av. Guido Caloi, Ponte Guarapiranga, Ponte do Morumbi (transposição pela ponte antiga e acesso pela ponte nova)
  • Extensão da ciclovia pelo Rio Guarapiranga pela estrada abandonada (já asfaltada)
  • Transposição na Estação Sto. Amaro
  • Instalar iluminação
  • Ter policiamento e outras medidas para melhorar a segurança 
  • Melhorias nos acessos existentes (substituir escadas por rampas pedaláveis como a do Parque do Povo)

A planilha com a lista completa de acessos e detalhes sobre as condições está disponível de forma pública aqui.

Encaminhamentos

O potencial das margens do Rio Pinheiros para o uso de bicicleta é evidente e indiscutível, tanto para a mobilidade quanto para o lazer. Ambas margens possuem espaço suficiente para a ampliação das ciclovias existentes, assim como para a construção de novos acessos, novos pontos de apoio, espaços de lazer (como quadras, mirantes, etc) e também espaços comerciais (como cafeterias, lanchonetes, bicicletarias, etc). Para que as margens do Rio Pinheiros atinjam seu potencial e se tornem um novo espaço de lazer, cultura e mobilidade, é necessário que sejam construídos mais acessos. 

Ampliar a acessibilidade e melhorar as condições nas ciclovias existentes é um ponto fundamental, pois permitirá o melhor uso do espaço pela população e a sua transformação a médio e longo prazo. As ciclovias são ferramentas para ocupação e uso do espaço, se tornando base para futuros projetos, incluindo o parque linear do Rio Pinheiros ali, conexão ao norte com uma futura ciclovia na Marginal Tietê e ao sul com a ciclovia Rota Márcia Prado. O uso das ciclovias já é intenso e crescente, com potencial enorme para as pessoas da cidade de São Paulo e do seu entorno.

Os coletivos Bike Zona Sul e Bike Zona Oeste continuam à disposição do Governo do Estado e da Prefeitura para dialogar de forma construtiva, buscando melhorar a acessibilidade, qualidade e segurança em ambas as ciclovias. 

(Equipes Bike Zona Sul e Bike Zona Oeste: Fernando de Abreu, Kristofer Willy, Marivaldo Lopes, Paulo Alves, Sasha Hart, Simone Penninck e Thomas Wang)

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Ghost bike para Joab reúne ciclistas, parentes, amigos e companheiros de trabalho na Jacu-Pêssego

No sábado passado (21/11), estivemos na instalação da ghost bike de Joab Xavier, na Av. Jacu-Pêssego, Zona Leste. A bicicletada em homenagem à Joab foi organizada pelo Bike Zona Leste com o apoio do Bike Zona Sul, Bike Zona Oeste e Bike Zona Norte.

Joab foi atropelado no dia 04/11, quando ia para o trabalho, na região de São Mateus. Segundo colegas de trabalho, Joab fazia o mesmo trajeto todos os dias, independente do horário e do clima, sempre de bicicleta. Alguns já haviam falado sobre o risco de ir de bicicleta na região, mas Joab insistia pois queria economizar o dinheiro do transporte para dar melhores condições para sua família.

A região de São Mateus, onde Joab foi morto, possui poucas ciclovias/ciclofaixas e ainda não está conectada ao restante da rede. Recentemente a Prefeitura iniciou a sinalização de uma ciclofaixa em um trecho da Av. Jacu-Pêssego, porém o local onde Joab foi atropelado não terá ciclovia. Se a Prefeitura tivesse feito uma ciclovia por toda avenida, talvez Joab estivesse vivo. Porém, a demora do poder público em agir permitiu que o atropelamento acontecesse e uma família ficasse sem pai.

Mapa da região mostra que faltam ciclovias (CET)

Cerca de 60 ciclistas de todas regiões e até do ABC estiveram presentes para homenagear Joab, assim como grupos de pedal como o Pedala Itaquera e as Magrelas Aladas. Junto aos ciclistas estavam parentes, amigos e colegas de trabalho em Joab, que participaram em carros e motos. O cortejo foi escoltado pela Polícia Militar desde a Estação São Mateus (Metrô Linha 15 Prata).

Ciclistas se reúnem na Estação São Mateus (Thomas Wang/Bike Zona Sul)

A primeira parada foi a empresa Costa Lavos, onde Joab trabalhava. Para homenagear Joab, os companheiros de trabalho colocaram os caminhões em fila, de frente para o cortejo. Durante o tempo que ficamos lá, colegas de trabalho fizeram discursos falando de Joab e contando um pouco sobre ele. Nas palavras de Chaliton Trajano: “Joab era um companheiro, a gente tomava café junto todo dia e ele era como um irmão, ele era da família Costa Lavos”. Após as falas dos companheiros de trabalho, foi feita uma longa salva de palmas e gritos de “Joab presente” e “Justiça”. Na sede da empresa a Polícia permitiu que o grupo ocupasse 2 das 3 faixas da avenida.

Grupo se reúne no local onde Joab trabalhava. (Simone Penninck/Bike Zona Oeste)

Saindo da empresa, o cortejo se dirigiu para a Avenida Jacu-Pêssego, local do atropelamento. A princípio os ciclistas tentaram utilizar 3 das 5 faixas da avenida, mas a Polícia permitiu somente o uso de 2. Com essas 2 nos reunimos para realizar a homenagem.

Ciclistas, familiares e amigos param no local do atropelamento (Simone Penninck/Bike Zona Oeste)
Ciclistas preparam a ghost bike no local do atropelamento. (Thomas Wang/Bike Zona Sul)

Membros do Bike Zona Sul e Bike Zona Leste retiraram a bicicleta da caçamba da caminhonete e começaram a desmontá-la e pintá-la. Moab, irmão de Joab, e Fabio, cunhado, participaram da pintura da bicicleta fantasma (ghost bike).

Após ciclistas desmontarem a bike, o irmão e o cunhado de Joab pintaram a ghost bike de branco. (Simone Penninck/Bike Zona Oeste)

No local do atropelamento ciclistas, parentes e amigos desenharam bicicletas, pediram ciclovias e escreveram o nome de Joab no asfalto. Durante a pintura foi explicado o significado da ghost bike, de homenagear o ciclista morto. Familiares pediram que todos se reunissem para orar um “Pai Nosso”, todos juntos, mesmo que cada um à sua maneira. Novamente, foram feitas várias salvas de palmas e vários gritos pedindo justiça. Ciclistas relembraram lemas como “Vai ter ciclovia na Paulista e na periferia”, “Mais amor, menos motor” e “Não foi acidente”. Também foram gritados “Justiça para Joab” e “Joab presente”.

Ghost bike secando com desenho de bicicleta e nome de Joab escrito no local onde ele foi morto. (Thomas Wang/Bike Zona Sul)
Faixas e frases pedindo por justiça para Joab e mais ciclovias. (Thomas Wang/Bike Zona Sul)

Após a ghost bike ser fixada no poste próximo do local do atropelamento de Joab, os familiares agradeceram a homenagem e reforçaram que não vão deixar de buscar justiça para Joab. Membros dos coletivos de ciclistas se comprometeram a cobrar a Prefeitura para que ela instale de uma ciclovia no local. Ao final da homenagem, os cortejo se dividiu em grupos menores para estações do Metrô e da CPTM próximas.

Ciclista coloca faixa junto da ghost bike (Sergio Telles/Pedala Itaquera)
(Simone Penninck/Bike Zona Oeste)

Uma ciclovia nesse trecho da Jacu-Pêssego poderia ter salvado Joab. Assim como uma ciclovia da Rua dos Trilhos poderia ter salvado Lucas. Não podemos aceitar atropelamentos de ciclistas por falta de ciclovias ou desrespeito às leis de trânsito. Todo ciclista importa, em todas regiões da cidade, seja em bairros nobres ou na periferia.

Sabemos que o trânsito de São Paulo é violento, mas também sabemos que ciclovias diminuem as mortes de ciclistas, então por que a Prefeitura demora tanto para fazer ciclovias?

Precisamos de ciclovias para proteger pessoas e evitar mortes. Precisamos de ciclovias para que São Paulo seja mais segura e humana.

#JusticaPorJoab  #NaoFoiAcidente #BastaDeMortesNoTransito

(Equipes Bike Zona Sul, Bike Zona Leste, Bike Zona Oeste e Bike Zona Norte / Colaboraram Pedala Itaquera e Magrelas Aladas)


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Eleições: vote em candidatos que apoiam os ciclistas!

Nos últimos 15 dias, 3 ciclistas foram atropelados e mortos. Os 3 motoristas que mataram continuam soltos. Pior que isso, entre 2019 e 2020 as mortes de ciclistas aumentaram 64% em São Paulo. Durante esse período, foram feitos apenas 24km dos 174km de novas ciclovias/ciclofaixas prometidas pelo prefeito Bruno Covas (PSDB).

O atropelamento e morte de Marina Harkot nos lembra que a maioria dos ciclistas está em perigo, principalmente pela falta de ciclovias e pela imprudência de motoristas. Com isso em mente, o Bike Zona Sul decidiu divulgar alguns candidatos que se comprometeram com a mobilidade de bicicleta e assinaram a Carta dos Coletivos Regionais de Ciclistas.

A carta foi escrita em conjunto pelo Bike Zona Sul, Bike Zona Leste, Bike Zona Norte e Bike Zona Oeste. Ela apresenta 5 demandas principais, que o candidato/a concorda ao assinar:

  1. Ampliar a rede cicloviária, atingindo no mínimo 1200 km de ciclovias/ciclofaixas e conectando todas as 32 Subprefeituras, todas com padrão de qualidade e adequadas às características viárias; 
  2. Regulamentar o BikeSP – Lei 16.547/16, aprovada pela Câmara Municipal em 2016 que remunera diretamente os trabalhadores e estudantes que utilizam a bicicleta, fazendo a distribuição de renda, movimentando o comércio local, principalmente na periferia, e melhorando a saúde das pessoas; 
  3. Valorizar os ciclo entregadores e dar condições justas para eles trabalharem;
  4. Realizar campanhas de conscientização e ações de fiscalização efetivas, em linha com a política de segurança viária Visão Zero
  5. Instalar bicicletários com controle de acesso nos terminais da SPTrans e dotar de controle de acesso os bicicletários existentes que ainda não possuem.

Ao assinar a Carta, os candidatos/as também se comprometem com o fortalecimento da Câmara Temática de Bicicleta (CTB) do Conselho Municipal de Trânsito e Transportes. Isso quer dizer que, quando eleitos, os candidatos vão atender as demandas da CTB, assim como retomar as reuniões regionais de ciclistas. Essas reunióes são importantes pois possibilitam conversas mais objetivas entre os ciclistas de uma região, vizinhos e o poder público.

Neste domingo, vote em um candidato que se comprometeu com os ciclistas! Para facilitar, fizemos a lista dos candidatos que assinaram a Carta dos Coletivos de Ciclistas:

Candidatos a vereador/a

Candidatos a prefeito/a

Há candidatos que não se comprometeram diretamente com os coletivos de ciclistas, mas se comprometeram com Campanha Mobilidade Sustentável em São Paulo, você pode ver todos no site: mobilidadenaseleicoes.org.br/saopaulo/quem-aderiu/ .

BÔNUS: Veja como se preparar para a eleição!

(Equipe Bike Zona Sul: Kristofer Willy, Marivaldo Lopes, Lucian De Paula, Paulo Alves e Thomas Wang)

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Pedale em paz, Marina Harkot

Ciclistas no velório da Marina. (Thomas Wang/BZS)

A sensação estranha de ter pedalado com um misto de sentimentos. Dor, tristeza, angústia, impotência, indignação, revolta… Tudo isso misturado. Perdemos uma amiga, uma irmã, uma companheira do pedal. Marina Harkot era uma amiga de todos, uma pessoa sempre de bem com a vida, daquelas que fazia todos sorrirem quando ela chegava.

Marina Harkot ao ser eleita representante dos ciclistas no Conselho Municipal de Transporte e Trânsito (CMTT)

Marina tinha 28 anos, uma pesquisadora da USP com mestrado, boas ideias e um futuro brilhante pela frente. Tudo isso deixou de importar no sábado de noite, quando ela foi morta por um motorista que a atropelou e fugiu, deixando ela ferida e sozinha na Av. Sumaré, na Zona Oeste. Não vamos entrar no debate sobre o que aconteceu porque não temos as informações. Mas sabemos que nossa amiga foi atropelada e abandonada por um motorista covarde, que não teve a decência de parar e ligar para o resgate. Um imprudente que fugiu sem prestar socorro.

Ciclistas se dirigem ao local do atropelamento (Thomas Wang/BZS)

Perder alguém querido nunca é fácil. Perder uma pessoa animada como a Marina é pior ainda. Marina é a terceira ciclistas morta em São Paulo em menos de 15 dias:

Nesses atropelamentos, famílias que são destruídas. Para João e Marina, os últimos momentos foram solitários. Fico angustiado quando penso neles no chão, sozinhos. Um motorista (ou qualquer ser humano) que abandone uma pessoa que acabou de machucar é um covarde.

Todos os dias ciclistas ouvem insultos e levam finas de motoristas imprudentes e irresponsáveis como esses. Infelizmente muitos motoristas ainda acham que as ruas são para os carros (ou para quem tem um motor). Mas não são. As ruas são de todos: pedestres, ciclistas, motociclistas, patineteiros, skatistas, motoristas, passageiros… Nossa cidade precisa de ruas inclusivas, de ruas seguras, de ruas humanas.

A bicicleta não é apenas um hobby ou esporte, ela é também é um meio de transporte e uma ferramenta de transformação. Precisamos enxergar os ciclistas, assim como os pedestres, de forma prioritária. Não podemos nos contentar com o mínimo para os mais frágeis (como aquele farol de pedestres que abre por menos de 5 segundos para o pedestre atravessar ou aquela ciclofaixa que praticamente só tem sarjeta e bueiros). As ruas devem ser reformadas para atender as pessoas. Se isso vai diminuir espaço ‘dos carros’ nas ruas, que seja. Precisamos de calçadas e ciclovias largas e lisas, precisamos de travessias elevadas (“lombofaixas”), precisamos de ilhas de pedestres, precisamos de calçadas ampliadas nas esquinas. Precisamos de fiscalização nas ruas. Precisamos transformar nossa cidade para que ela seja ocupada por pessoas, e não motores.

No próximo domingo, 15/11, teremos eleições para prefeito e vereador. Você sabe se o seu candidato defende a implantação de mais ciclovias e ciclofaixas? Não importa o partido e a orientação política, a bicicleta é apartidária. Fazer ciclovias, calçadas, fiscalizar e punir motoristas infratores… Tudo isso melhora a segurança e a qualidade de vida de todos nós. Então vote em um candidato que apoia uma cidade mais humana e mais sustentável. Com certeza Marina iria votar em um candidato/a que defendesse uma cidade mais inclusiva. Ela acreditava na mudança e na humanidade.

Assim como Julie e Igor, Marina é mais uma amiga que se vai. Morta pela violência do trânsito. Tirada de nós subitamente, sem um último abraço ou beijo. Com uma despedida fria e dolorosa. Mas que a dor se transforme em luta. Pois é o que cada um deles faria: continuaria lutando por todos nós.

Marina, Julie, Igor, Lucas e João Xavier. Que esses nomes não sejam esquecidos e que vocês não se tornem dados frios numa planilha ou apresentação da Prefeitura ou Governo. Vocês são nossas estrelas, que nos guiarão nas lutas que virão.

Como diz nosso amigo Alex Gomes, no Estadão: “Por você, Marina, continuaremos lutando pelas coisas bonitas dessa vida, como ver mais gente ocupando a cidade com música e gargalhadas. Queremos ruas que acolham tanto quem caminha a passos rápidos, como quem precisa de bengalas ou quem engatinha.

Nunca te esqueceremos Marina, e por sua história pedalaremos ainda mais.

Homenagem deixada na via onde Marina foi atropelada. (Paulo Alves/BZS)
Homenagem próxima do local onde Marina foi morta. (Paulo Alves/BZS)
Ciclistas próximos ao local do atropelamento. (Thomas Wang/BZS)

#NaoFoiAcidente #BastaDeMortesNoTransito #JusticaPorMarina #MarinaPresente

(Equipe Bike Zona Sul: Carla Moraes, Kristofer Willy, Marivaldo Lopes, Lucian De Paula, Paulo Alves, Taiana Dutra e Thomas Wang)

#BikeZonaSul #VaiTerCiclovia #CicloviasSalvamVidas #CidadesParaPessoas #SãoPauloPrasPessoas #BikeSP #Mobilidade #Bicicleta #Transporte #BikeFazBemAoComércio #Compartilhe




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