Ofício 002/2021 da Câmara Temática de Bicicleta: Implantação de ciclorrotas em vias onde há espaço para ciclofaixas

São Paulo, 30 de março de 2021.

Ofício 003/2021 – CTB/CMTT – Câmara Temática de Bicicleta

Ao

Secretário de Mobilidade e Transportes Levi Oliveira

Presidente da CET Jair de Souza Dias

Chefe da Assessoria Técnica Maria Teresa Diniz

Assunto: Implantação de ciclorrotas em vias onde há espaço para ciclofaixas

Prezados,

Nós, conselheiros e conselheiras da CTB, somos a favor da ampliação da malha cicloviária com ciclovias e ciclofaixas e defendemos que as ciclorrotas não devem ser consideradas nas metas dessa gestão.

Segundo o Plano Cicloviário do município, a cidade deverá concluir no mínimo 673 km de novas estruturas, entre ciclovias e ciclofaixas. Para atingir tal meta, o orçamento deve refletir tanto a quilometragem das obras, quanto a qualidade do projeto e dos materiais empregados.

Consideramos que a qualidade do projeto envolve ações, investimentos e distribuição espacial que objetivem a segurança viária e impliquem aumento do número de ciclistas, o que é conhecido como demanda induzida. Esse fenômeno decorre do crescimento da sensação de segurança entre aqueles que decidem começar a usar a bicicleta como transporte. Somado a isso, o aumento do número de ciclistas também potencializa, por si só, a segurança das vias. Aqui defendemos que essa segurança não conseguirá ser construída baseada em ciclorrotas.

Estatisticamente, ciclofaixas e ciclovias influenciam na decisão de pedalar porque são protegidas do volume de tráfego, então ciclistas menos experientes se sentem seguros para usá-las (1). Caso haja uma queda, será naturalmente mais difícil sofrer lesões por outros veículos, visto que a faixa é exclusiva. Numa ciclorrota, no entanto, é possível que sejam atropelados, principalmente considerando o histórico de implementação de ciclorrotas no município, que são criadas sem medidas de acalmamento de tráfego. 

Um estudo em Chicago sugere que o desfecho de segurança em ruas em que ciclorrotas foram instaladas foi pior do que nas ruas com ciclofaixa ou naquelas em que nada foi instalado pensando no ciclista. Uma das explicações possíveis é uma falsa sensação de segurança gerada pela ciclorrota, pois, mesmo com ela, os riscos de quedas e atropelamentos permaneceram os mesmos. Analogamente, mais colisões entre automóveis e pedestres ocorrem quando há apenas a adição de uma faixa de pedestres, sem o tratamento de outras questões de segurança viária (2). 

Uma dessas questões é a cultural. As ciclorrotas reiteram a crença de que o trajeto do automóvel nunca deve ser alterado por conta de outros modais, o que também é percebido por ciclistas que escolhem pedalar na calçada, geralmente por se sentirem mais seguros em relação aos motoristas que se aproximam perigosamente em alta velocidade. Considerando a visão negativa sobre a bicicleta que ainda permeia o senso comum – decorrente da falta de investimentos para o rápido aumento do número de ciclistas –  e a diferença de tamanho e força entre ambos os veículos, bicicleta e carro, expomos ser temerária a decisão de investir em ciclorrotas (3).

Sabemos que as ciclorrotas são mais facilmente instaladas e elimina a dificuldade política para negociar espaço para a bicicleta (2; 3).  No entanto, devemos lembrar que a prioridade deve ser sempre a proteção à vida, em que as ciclorrotas já demonstraram ineficácia, ou eficácia duvidosa (2). Elas jamais trarão o necessário aumento no número de ciclistas gerados por uma ciclovia ou ciclofaixa, nem aumentarão a segurança para esse modal na cidade, de acordo com a estadunidense National Association of City Transportation Officials (NACTO). Enfim, elas jamais devem ser implementadas em vias em que há espaço para se implantar uma ciclofaixa (4).

Temos acompanhado a criação de ciclorrotas recentes no município, sem motivo aparente, em vias nas quais caberiam ciclofaixas nas medidas definidas pelo Manual de Sinalização Urbana Volume 13 da própria CET. Citamos abaixo as ciclorrotas instaladas sem diálogo com a Câmara Temática de Bicicleta ou seus conselheiros:

  • Rua Itália, no Jardim Europa;
  • Rua Potiguar Medeiros, em Pinheiros (viário que tem velocidade de 40km/h e ciclorrota erroneamente  contabilizada como ciclofaixa no Mapa de Infraestrutura Cicloviária (5);
  • Rua José Vicente Cavalheiro e Rua Santo Arcádio, na Chácara Santo Antônio (possuem placas de ciclorrota, mas não há sinalização horizontal);

Nos casos citados, não foram feitas medidas de acalmamento de tráfego para forçar a redução de velocidade dos veículos motorizados e, consequentemente, o ciclista corre risco de ser atropelado fatalmente por estar desprotegido. Como conselheiros da Câmara Temática de Bicicleta, reforçamos que ciclorrotas só devem ser implantadas caso a rua não possua espaço para receber ciclovia ou ciclofaixa e que todas as ciclorrotas devem ser implantadas com elementos acalmadores de tráfego (tais como chicanas, lombadas, estreitamentos da via, a instalação de radares, dentre outros) e os pictogramas devem ser desenhados centralizados na faixa de rolagem, não junto à zona de abertura de portas do estacionamento. Caso haja áreas de estacionamento e/ou mais de uma faixa em cada sentido da via, deve ser implantada ciclovia ou ciclofaixa conforme o Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias da Secretaria de Mobilidade e Transportes, publicado em 2020 (6). 

Essas ciclorrotas não adensam a malha cicloviária e não aumentam em conjunto as seguranças objetiva e percebida (1), sendo responsáveis por frear o aumento do número de ciclistas e potencializar o número de lesões e mortes.  Ressaltamos que nenhuma dessas intervenções foram discutidas em reuniões com membros da CTB, nem faziam parte das prioridades já definidas pela sociedade civil.

Esperamos que as informações apresentadas sejam úteis e nos disponibilizamos para conversar sobre as infraestruturas cicloviárias existentes e planejadas. Novamente, nos colocamos à disposição para possíveis esclarecimentos e reiteramos nosso compromisso de dialogar de forma democrática e construtiva. Para isso, deixamos o e-mail de contato dos conselheiros: camara-tematica-bicicleta@googlegroups.com .   

Atenciosamente,

Câmara Temática da Bicicleta

do Conselho Municipal de Trânsito e Transportes

da Prefeitura Municipal de São Paulo

Para entrar em contato, envie um e-mail para camara-tematica-bicicleta@googlegroups.com .

REFERÊNCIAS:

1. Fowler, Stephanie L.; Berrigan, David; Pollack, Keshia M. (2017). Perceived barriers to bicycling in an urban U.S. environment. Journal of Transport & Health, (), S2214140517301263–. doi:10.1016/j.jth.2017.04.003      

2. N. N. Ferenchak and W. E. Marshall, Advancing healthy cities through safer cycling: An examination of shared lane markings, International Journal of Transportation Science and Technology, https://doi.org/10.1016/j.ijtst.2018.12.003

3. Furth, Peter G, Daniel M Dulaski, Dan Bergenthal, & Shannon Brown. “More Than Sharrows-Lane-Within-A-Lane Bicycle Priority Treatments in Three US Cities.” 2011 Transportation Research Board Annual Meeting conference paper, Transportation Research Board, Washington, DC: 2011.

4. Mcentee, Brian. What are sharrows? Our guide to the notorious shared lane marking Bicycling magazine. 27 de agosto de 2020. Disponível em: https://www.bicycling.com/news/a20044419/what-are-sharrows-used-for/. Acesso em: 23 de março de 2021.

5. Maps de Infraestrutura Cicloviária da CET / Prefeitura de São Paulo:  http://www.cetsp.com.br/consultas/bicicleta/mapa-de-infraestrutura-cicloviaria.aspx  . Acesso em 29 de março de 2021.

6. Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias da SMT / Prefeitura de São Paulo: http://www.manualurbano.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/cetmanual-de-desenho-urbano00baixa.pdf . Acesso em 29 de março de 2021.

Ofício 002/2021 da Câmara Temática de Bicicleta

São Paulo, 19 de março de 2021

Ofício 002/2021 – CTB/CMTT

Ao:

Secretário de Mobilidade e Transportes Levi Oliveira

Presidente da CET Jair de Souza Dias

Chefe da Assessoria Técnica Maria Teresa Diniz

Assunto: Inclusão de demandas no Programa de Metas 2021-2024

Prezados,

A Câmara Temática de Bicicleta, parte do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte, vem solicitar a inclusão das nossas demandas específicas no Programa de Metas a ser apresentado pela gestão.

Cientes de que haverá espaço para participação da sociedade civil, nós solicitamos que as discussões internas feitas pelos servidores municipais levem em consideração a inclusão dos seguintes itens. Esperamos que eles sejam pleiteados pela equipe da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte, bem como da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego, a fim de tornar mais completo, focado e eficiente o que será levado para consulta pública.

Metas solicitadas pela Câmara Temática da Bicicleta:

Meta 0: Aplicar todas as estratégias recomendadas da “Visão Zero” para reduzir o índice de mortes no trânsito para valor igual ou inferior a 2 a cada 100 mil habitantes, por ano.

Descrição: O indicador considera óbitos ocorridos até 30 dias após o acidente de trânsito e a média de ocorrências nos 12 meses anteriores.

Unidade de medida: Unidade / 100 mil.

Valor base: 6,07 a cada 100 mil habitantes (ano base 2020).

Meta 1: Conectar todas as 32 Subprefeituras via rede cicloviária composta por ciclofaixas e ciclovias. 

Descrição: Hoje 20 Subprefeituras não têm conexões cicloviárias com o Centro da Cidade, de modo que seus 7.130.457 milhões de habitantes (dado de 2010) não têm garantida a opção de pedalar de forma segura até aquela região. A prefeitura deve utilizar a expansão da malha cicloviária de modo que todas as subprefeituras tenham pelo menos uma rota contínua conectando à subprefeitura Sé. 

Unidade de medida: Percentual (%) de subprefeituras conectadas ao centro por ciclovias/ciclofaixas. 

Valor base: 12 subprefeituras tem conexão com o centro (37,5%).

Meta 2: Expandir a malha cicloviária existente em 1.000km incluindo eixos cicloviários 

Descrição: Expandir, através da construção de ciclovias e ciclofaixas, a malha cicloviária do município incluindo a conexão de eixos cicloviários existentes (por exemplo, na Radial Leste, de modo a conectar a Zona Leste com o Centro) e a criação de novos eixos (por exemplo, na Marginal Tietê, de modo  a conectar a Zona Leste e Norte com a Ciclovia da Marginal Pinheiros). Os 1.000km incluem os 677 km previstos no Plano Cicloviário (publicado em 2019), acrescidos de mais 223km devido à situação da pandemia.  

Unidade de medida: Quilômetro (km) de novas ciclovias e ciclofaixas adicionado à malha cicloviária. 

Meta 3: Transformar 200 km de ciclofaixas em ciclovias.

Descrição: Requalificação de 200 km de ciclofaixas, transformando-as em ciclovias segregadas do trânsito, priorizando as rotas em avenidas arteriais, de alta demanda ou alto índice de infrações.

Unidade de medida: Quilômetro (km) de via com mudança de tipologia.

Valor base: 0 km. Até hoje nunca houve requalificação de ciclofaixa em ciclovia.

Meta 4: Criar 12.000 vagas em bicicletários urbanos públicos.

Descrição: Criação de bicicletários públicos, gratuitos, de livre uso pela população, com horário de funcionamento no mínimo equivalente ao funcionamento do transporte coletivo. 

Unidade de medida: Quantidade de vagas disponíveis (unitário).

Valor base: Atualmente existem 6.961 vagas em bicicletários urbanos, segundo levantamento da SMT de março de 2021.

Meta 5: Instalar 12.000 paraciclos de rua

Descrição: Instalar paraciclos, do modelo aprovado pela CET, em logradouros e espaços públicos (incluindo escolas).

Unidade de medida: Quantidade de paraciclos instalados (unitário).

Valor base: O levantamento da SMT de Março/2021 apresentado à CTB indica 904 paraciclos instalados.

Meta 6: Regulamentar o programa BikeSP.

Descrição: Regulamentação e implementação do programa BikeSP, Lei Municipal nº 16.547, de 21 de setembro de 2016, que institui o pagamento dos estudantes e trabalhadores que utilizarem a bicicleta como modal de transporte. Cadastrar pelo menos 200.000 estudantes e 300.000 trabalhadores.

Unidade de medida: Usuário cadastrado (unitário).

Valor base: O BikeSP não está regulamentado atualmente.

Meta 7: Desativação total do Elevado João Goulart, o “Minhocão”, para automóveis motorizados.

Descrição: Fechamento total e permanente do Elevado João Goulart para a circulação de automóveis motorizados, conforme previsto no Plano Diretor Estratégico do município, independente da destinação de parque ou desmonte.

Unidade de medida: Sim ou não.

Valor base: Atualmente não está fechado.

Meta 8: Ampliar as Campanhas de Educação de Trânsito sobre mobilidade ativa, incluindo combate ao assédio sexual  

 Descrição: Oferecer programas para todas as escolas públicas e privadas, motoristas de ônibus e táxis, bem como vincular semestralmente mensagens (educativas e protetoras) nas diferentes mídias e regiões da cidade. 

Unidade de medida: Número de campanhas e abrangência dos programas (incluindo escolas, regiões e rede de transporte público) .

Valor base: Desconhecido.

Meta 9: Ampliar e tornar permanente o programa “Sexta Sem Carro” no centro.

Descrição: O programa “Sexta Sem Carro”, que acontece na última 6a feira de cada mês, deve ser progressivamente expandido, até se tornar política permanente toda sexta-feira, com sinalização, placas e intervenções viárias substituindo os agentes da CET que fazem a orientação do programa temporário hoje.

Unidade de medida: Dias de fechamento por ano, mês e semana.

Valor base: Atualmente apenas 12 dias por ano (última sexta feira de cada mês).

Meta 10: Contratar e ampliar o número de Agentes de Trânsito da CET.

Descrição: Contratação e ampliação do número de Agentes de Trânsito da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego para atender a recomendação do Denatran de 1 agente para cada 1.000-2.000 veículos na cidade, de acordo com recomendação de relatório do TCM (2017). 

Unidade de medida: Agentes contratados (pessoa).

Valor base: Conforme recomendação do TCM publicada em: DOC16023082017 (70) https://static-files.folhadirigida.com.br/uploads/banco_editais/cet-sp-3.pdf 

Meta 11: Construir 13 pontes cicloviárias.

Descrição: Construção das 13 pontes para ciclistas e pedestres, e pontes com infraestrutura cicloviária, previstas no Plano Cicloviário

Unidade de medida: Unidade.

Valor base: Zero. 

Meta 12: Criar políticas específicas para aumentar a igualdade de gênero dos usuários diários da bicicleta.

Descrição: Criar políticas específicas para reduzir a disparidade de gênero entre ciclistas homens e mulheres na cidade.

Unidade de medida: Pontos percentuais de diferença reduzidos (p.p.).

Valor base: 70 pontos percentuais de disparidade. Homens 85% / Mulheres 15% (pesquisa Origem e Destino 2017).

Novamente, nos colocamos à disposição para possíveis esclarecimentos e reiteramos nosso compromisso de dialogar de forma democrática e construtiva.

Atenciosamente,

Câmara Temática da Bicicleta

do Conselho Municipal de Trânsito e Transportes

da Prefeitura Municipal de São Paulo


Veja os outros ofícios da Câmara Temática de Bicicleta:
Ofício 001/2021


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CPM Vila da Mariana questiona CET sobre a demora da ciclofaixa da Rua Luis Góis


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Ofício 001/2021 da Câmara Temática de Bicicleta

São Paulo, 22 de fevereiro de 2021.

Ofício ao novo Secretário de Mobilidade e Transportes Levi Oliveira

Prezado,

a Câmara Temática de Bicicleta é parte do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte, conselho técnico ligado à Secretaria de Mobilidade e Transportes da Prefeitura de São Paulo. Os conselheiros redigem este ofício para dar boas vindas ao novo secretário e para reforçar algumas das principais demandas da cidade e objetivos desta câmara temática no que diz respeito à ciclomobilidade.

Esperamos que as informações abaixo sejam úteis e nos disponibilizamos para conversar sobre a mobilidade ativa, a mobilidade por bicicleta, a execução do Plano de Segurança Viária, o conceito de Visão Zero e o cumprimento da Agenda 2030, que a cidade se comprometeu a atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU. Caso deseje entrar em contato com os conselheiros, procure a pessoa que enviou este ofício ou envie um e-mail para camara-tematica-bicicleta@googlegroups.com .

Aumento orçamentário das políticas de mobilidade urbana

Tendo em vista o planejamento municipal, os compromissos assumidos com a vida, com a lei e com a boa administração pública, solicitamos que sejam garantidos os recursos para a execução do Plano de Segurança Viária, para a implantação dos 673 quilômetros de novas ciclovias previstas no Plano Cicloviário para a gestão 2021-2024, assim como ciclovias nas pontes sobre as Marginais Pinheiros e Tietê e a construção de bicicletários nos terminais de ônibus e estações Metrô e CPTM.

Nós, membros da Câmara Temática de Bicicleta, cumprindo papel de interlocutores da sociedade civil, reconhecemos que não faltam mais fundamentos técnicos, verbas, projetos, audiências públicas e diálogos participativos para que as demandas dos ciclistas sejam atendidas.   

Os investimentos em melhorias para ciclistas têm sido baixos frente às necessidades e os benefícios. No período 2017-2020 a expansão da malha cicloviária reduziu o ritmo, a prefeitura não conseguiu cumprir a entrega concluída da meta de infraestrutura cicloviária nova ou requalificada, ainda que tenha feito a contratação da maior parte dos trechos.

Segundo o Plano Cicloviário do município, a cidade deverá concluir 673 km de novas estruturas, entre ciclovias e ciclofaixas. Para atender tal meta, o orçamento deve refletir tanto a quilometragem das obras, quanto a qualidade do projeto e dos materiais empregados.

Figura extraída do Plano Cicloviário destacando as principais metas para construção em 2021-2024.

Compromissos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU que a cidade firmou acordo.

A alocação orçamentária mencionada é essencial para cumprir a Agenda 2030, da qual a cidade é signatária,  e criou a Comissão Municipal para o Desenvolvimento Sustentável para cumprir. Os investimentos, conforme indicados aqui, ajudam a cidade a cumprir os respectivos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU: (3) Saúde e Bem-estar, (9) Indústria, inovação e infraestrutura, (10) Redução das desigualdades, (11) Cidades e comunidades sustentáveis e (12) Consumo e produção sustentáveis. Especificamente 3.1; 3.4; 3.6; 3.9; 9.1; 9.4; 9a; 10.1; 10.2; 10.3; 10.4; 11.2; 11.3; 11.6; 11.7 e 12c,

Redobramos a importância de realizar, o quanto antes, os investimentos na infraestrutura cicloviária. É conhecido no planejamento urbano e viário o fenômeno da Demanda Induzida, onde as ações, investimentos e distribuição espacial promovidos pelo poder público estimulam o uso de um meio de transporte, como a bicicleta, além do crescimento natural da demanda. Estas obras mencionadas serem incluídas no orçamento de 2021 reforçam o uso da mobilidade ativa, alinhado com a diretriz da Política Nacional de Mobilidade Urbana e ao mesmo tempo retira usuários dos veículos motorizados individuais, carros e motos, o que tem o efeito de reduzir colisões e atropelamentos no trânsito, reduzir a poluição sonora e atmosférica, reduzir congestionamentos e reduzir a manutenção necessária pela infraestrutura viária utilizada por veículos automotores, trazendo economia para o erário.

Bicicleta, o combate à Covid-19 e saúde pública

Grande parte dos trabalhadores essenciais, como entregadores, usa a bicicleta como meio de transporte. Os contadores automáticos da CET demonstram que a redução em número de viagens de bicicleta é menor do que comparado com outros modais, como carros. Além disso, é frequente que os contadores registrem um aumento na quantidade de ciclistas nos finais de semana, devido ao uso das infraestrutura cicloviária para o lazer e a prática de atividades físicas. Segundo estudos recentes, andar de bicicleta é o meio de transporte que menos espalha o vírus da COVID-19 porque ocorre em ambiente aberto, permite maior distanciamento, melhora o condicionamento físico e provoca muito menos poluição (conforme considerações da Organização Mundial da Saúde, Nações Unidas, entre outros). 

Além disso, dados da Secretaria de Saúde demonstram que vítimas do trânsito são os principais ocupantes dos leitos hospitalares, em particular das UTIs. Se faz necessária a criação de políticas permanentes para reduzir essas ocorrências, com a construção de obras de acalmamento de tráfego, a implantação de ciclovias e o aumento da fiscalização. Dessa forma, diminuindo as ocorrências de colisões e atropelamentos, reduz-se a sobrecarga do SUS e a dificuldade de atendimento dos pacientes de Covid-19. 

Mortes e Visão Zero

Em 2019, na cidade de São Paulo, tivemos 36 ciclistas mortos pela violência no trânsito. Em 2020, até setembro, tivemos mais 24 ciclistas mortos (INFOSIGA). Reforçamos a máxima da Visão Zero

Todas as mortes no trânsito são evitáveis, portanto são todas inaceitáveis.

O conjunto de mortes na cidade de São Paulo deixa claro que as pessoas praticantes da mobilidade ativa não estão recebendo os investimentos necessários em sua segurança. Justamente os usuários mais vulneráveis da cidade, e aqueles que deveriam ser prioridade nas políticas públicas, de acordo com a Política Nacional de Mobilidade Urbana e do Plano de Mobilidade Urbana do Município de São Paulo.

Ações esperadas 

Tendo em vista este contexto, solicitamos as seguintes medidas para serem tomadas:

  1. Inclusão da CTB na discussão do Plano Plurianual (PPA), da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA) com a SMT na gestão;
  2. Inclusão da CTB no estabelecimento de metas para o Plano de Metas da gestão;
  3. Separação das rubricas de manutenção preventiva/corretiva das ciclovias, da rubrica de expansão e novas conexões da malha cicloviária;
  4. Aumento da verba para expansão da malha cicloviária;
  5. Rubrica para instalação de bicicletários públicos nos terminais urbanos;
  6. Criação de rubrica para pagamento do programa BikeSP criado pela lei 16.547/16 e cuja regulamentação está sendo finalizada pela SMT;
  7. Aumento da verba para execução do Plano de Segurança Viária;
  8. Aumento da verba para as obras do Rota Escolar Segura, Áreas Calmas, Frente Segura, Territórios Educadores e outras intervenções de acalmamento de tráfego e pedestrialização do viário;
  9. Criação de concurso para agentes e técnicos da CET para superar a defasagem do quadro de servidores, sem reposição desde 2008, conforme recomendação do Tribunal de Contas do Município;
  10. Previsão orçamentária para realização das conexões Rota Márcia Prado nos limites do município, em articulação com o Governo Estadual;
  11. Execução das conexões do sistema de parques em conjunto com o Governo Estadual;
  12. Verba para consolidação da Rota Turística de Parelheiros, e ações para o cicloturismo ambiental na zona sul;
  13. Rubrica para a criação de pontos de apoio para ciclo entregadores espalhados pela cidade, incluindo banheiros, bebedouros, pontos de recarga, área para descanso, alimentação, etc.;
  14. A verba para expansão da malha cicloviária deve priorizar as obras apontadas como prioritárias regionais durante as oficinas participativas do Plano Cicloviário do município;
  15. Rubrica para instalação de paraciclos como equipamentos públicos na calçada;
  16. Que os 30% do Fundurb, que devem necessariamente ser investidos em mobilidade urbana, sigam as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, que priorizam o Plano Emergencial de Calçadas e o Plano Cicloviário por serem mobilidade ativa;
  17. Que haja urgência na implantação de estrutura cicloviária das 13 pontes previstas no Plano Cicloviário;
  18. Ampliação da restrição do funcionamento do Elevado João Goulart, o Minhocão, como via para automóveis, cumprindo o definido em lei pelo Plano Diretor Estratégico da cidade que prevê sua gradual desativação;
  19. Que as consultas públicas feitas às intervenções urbanas tenham respostas individualizadas para as sugestões feitas à população, similar ao processo feito na construção do Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias;
  20. Políticas para expansão dos sistemas de compartilhamento de bicicletas para todas as regiões da cidade.

Novamente, nos colocamos à disposição para possíveis esclarecimentos e reiteramos nosso compromisso de dialogar de forma democrática e construtiva.

Atenciosamente,

Câmara Temática da Bicicleta

do Conselho Municipal de Trânsito e Transportes

da Prefeitura Municipal de São Paulo


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Ciclovia Rio Pinheiros Margem Oeste Bike Zona Sul

Obras na Ciclovia Rio Pinheiros causam transtornos e riscos aos ciclistas

Na última quarta-feira (17/07) estivemos presentes no Pomar Urbano para discutir as obras de aterramento da Rede Elétrica Piratininga na Ciclovia Rio Pinheiros, que vêm causando inúmeros transtornos nos últimos dias.

A Arcadis Brasil, empresa que está assessorando as intervenções, realizou uma apresentação atualizando os detalhes e avanços da obra, onde informaram que estão sendo feitos diversos esforços para gerir a comunicação com os ciclistas, sinalizando os locais de possíveis conflitos e buscando coibir situações de perigo, como a orientação dos motoristas e funcionários que trafegam pelo local. Também realizou uma apresentação sobre o histórico do Rio Pinheiros e possíveis perspectivas.

Ciclovia Rio Pinheiros Pomar Urbano Bike Zona Sul
Reunião discutiu obras na Ciclovia Rio Pinheiros (Margem Oeste)

Entendemos que toda obra gera transtornos, porém continuamos a ter uma grande diferença entre intervenções que impactam o viário de veículos motorizados e estruturas cicloviárias.

Assim, um dos problemas mais gritantes é a questão da acessibilidade dos ciclistas na Ciclovia da Margem Oeste, pois muitos trechos não estão adequados para a circulação segura dos ciclistas, oferecendo inúmeros riscos à integridade dos cidadãos que se locomovem com suas bicicletas pelo local.

No vídeo abaixo do Instituto CicloBR, vemos a situação atual da ciclovia:

O pavimento é a questão de maior impacto, pois trechos da ciclovia foram completamente destruídos para a realização das obras, onde foram disponibilizados desvios, porém esses são em estradas de terra e brita, algo inviável para bicicletas de pneus finos. A proposta apresentada em reuniões anteriores é que esses desvios seriam totalmente em asfalto, no entanto a Camargo Corrêa, empresa principal que está administrando as obras, não está cumprindo o acordo.

 

Ciclovia Rio Pinheiros Margem Oeste Bike Zona Sul
Trechos de terra na “ciclovia” tem causados transtornos para quem utiliza a bicicleta como meio de transporte.

Questionada especificamente sobre o trecho do Pomar Urbano e proximidades da Ponte João Dias, a Arcadis informou em nota que “devido ao caráter provisório dos desvios será evitado o asfaltamento dos mesmos, tendo em vista que tal medida implicaria inclusive em perdas ambientais (desperdício de matéria-prima, impermeabilização do solo, etc.). Assim, destaca-se que a previsão é que o traçado original seja devidamente reestabelecido até 19 de julho de 2019, sendo feito todos os esforços para que esse tempo seja antecipado. Deste modo, solicitamos a compreensão dos usuários durante esse período.”

Porém, durante a reunião foi informado que não havia prazo específico para a conclusão do trecho Pomar Urbano / João Dias, podendo ficar talvez para Agosto. O prazo final para todas as obras e devolução da ciclovia é para Novembro. Vale ressaltar que foi criado um trecho com asfalto novo entre as proximidades da Estação Santo Amaro do Metrô Linha 5 Lilás e o Pomar Urbano, que em breve será definitivo, mas já se encontra liberado aos ciclistas, algo que não condiz com a nota, sendo o ideal que todos os trechos fossem pavimentados. Também existem diversos pontos de remoção de árvores para a realização das obras, um ponto também bastante preocupante que também não condizem com a justificativa ambiental, mas segundo a Arcadis será recompensado em quantidade três vezes maior em outros locais pelo Estado de São Paulo.

Esperamos que as empresas encontrem soluções para os problemas relatados, sob a perspectiva dos ciclistas, que precisam de pavimento adequado, acessibilidade nos deslocamentos, bem como, segurança pública e viária.

IMPORTANTE: viu algo inadequado na ciclovia? Fotografe e envie para a Arcadis. Qualquer dúvida, sugestão ou reclamação, entre em contato:

Email: comunicacaopbte@arcadis.com

Telefone: 0800-729-0440

Ciclovia na subida faz sentido sim!

Estruturas cicloviárias em aclives auxiliam bastante as pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte em um dos momentos mais complicados do percurso, pois dessa forma, o ciclista pode seguir em seu ritmo, com tranquilidade e velocidade baixa, sem veículos motorizados pressionando.

Ciclovia da Av. Antônio Pincinato, Jundiaí - SP Bike Zona Sul
Foto: Ciclovia da Av. Antônio Pincinato, Jundiaí – SP

E em Jundiaí, temos esse belo exemplo na Av. Antônio Pincinato. Outro exemplo, é na Av. Ário Barnabé em Indaiatuba, onde os ciclistas lotam a ciclovia indo ao trabalho, mesmo com íngremes subidas.

Ciclovia da Av. Ário Barnabé, Indaiatuba - SP Bike Zona Sul
Ciclovia da Av. Ário Barnabé, Indaiatuba – SP

Marcha leve e vamos pedalar no dia a dia pelas subidas da cidade!

#bikezonasul #ciclovia #subida #aclive #mobilidade #mobility #bicicleta #bicycle #bikelife #biketowork #cycling #cyclelane #cyclelife #cyclechic #cycle #pedal #pedalasp

Shopping Interlagos ouve recomendações e instala novo bicicletário prático e eficiente.

Após reclamações dos clientes, que chegam de bicicleta ao estabelecimento, o shopping considerou os pontos levantados pelo Bike Zona Sul e trocou os antigos suportes, popularmente conhecidos como “entorta-roda” por novos paraciclos e ainda uma cobertura no local.

Novo bicicletário do Shopping Interlagos
Novo bicicletário do Shopping Interlagos

Os novos paraciclos são no formato “U” invertido, modelo mais recomendado por serem seguros e práticos, permitindo que a bicicleta seja trancada pelo quadro, sem risco de danos às rodas da bike, além de ter mais praticidade, onde basta apenas encostar e trancar. O modelo é ainda mais seguro contra furtos permitindo trancar de diversas maneiras sendo compatível com a maioria dos cadeados. Recomendamos o uso de u-lock para trancar sua bike em qualquer lugar.

Também foi instalada uma cobertura permitindo que a bicicleta não fique exposta a longos períodos de sol e chuva, além de trazer maior comodidade na hora de travar ou destravar a bike, pois quem usa a bicicleta no dia a dia, sabe o quanto é importante uma estrutura coberta para colocar as compras no bagageiro durante uma chuva, por exemplo.

A localização possui fácil acesso, bem sinalizado e no mesmo nível da rua (pontos que fazem toda a diferença) vindo pela Rua Odete Tobias Marino, sentido bairro, pouco antes da entrada do Carrefour. O local conta com um segurança do shopping que sempre está no local para vigiar as bicicletas e fica à poucos metros da entrada mais próxima. Também é uma ótima opção para quem vai ao Shopping Interlar Interlagos e demais estabelecimentos do Complexo Comercial de Interlagos.

O bicicletário não possui muitos mimos, como em outros estabelecimentos já visitados, no entanto como dito, foi construído da maneira correta, sendo prático e eficiente.

Parabéns ao Shopping Interlagos – Oficial pela iniciativa e atitude de mudança! Super recomendado! Que mais estabelecimentos invistam nos clientes que usam a bicicleta como meio de transporte.

Acessibilidade: *****
Segurança: *****
Praticidade: *****
Comodidade: ****

#BikeZonaSul #Bicicletario #Avaliação #ShoppingInterlagos #Mobilidade #Bicicleta #Transporte #Comércio

Prefeitura deixa a bicicleta em último plano também no cicloturismo de São Paulo

Bike Zona Sul Cicloturismo no Pólo de Parelheiros
Cicloturismo em Marsilac, Pólo de Ecoturismo de São Paulo

Mais uma vez a falta de investimentos na bicicleta como meio de transporte é visível no Plano de Desenvolvimento do Turismo Sustentável do Pólo de Ecoturismo, o que seria um projeto da São Paulo Turismo (SPTuris) para o turismo ecológico no extremo sul da cidade.

Confira o documento completo do projeto da Prefeitura para o Pólo:
http://cidadedesaopaulo.com/v2/wp-content/uploads/2018/04/Plano-Desenv.TurismoSP_site.pdf

Em uma breve pesquisa no PDF do plano, a palavra “bicicleta” aparece apenas em uma pesquisa dos meios de transporte utilizados para chegar ao Pólo de Ecoturismo de São Paulo, que obviamente não foram contabilizados os vários grupos de pedais levando centenas de ciclistas à região todos os finais de semana, algo que o Bike Zona Sul começou a estimular há alguns anos no Pedal Especial do Mês e hoje é tocado pela iniciativa de inúmeros grupos da Zona Sul e de diversas regiões da cidade que visitam o local.

No entanto, a dificuldade do paulistano em chegar ao Pólo de bicicleta é real, pois as ciclovias da cidade não estão conectadas com a região, limitando um acesso viário seguro apenas em grupos, pois a Ciclovia da Teotônio Vilela não está ligada ao menos com a Ciclovia de Marsilac. Com isso, a Estrada Ecoturística de Parelheiros (antiga Av. Sadamu Inoue) acaba sendo bem difícil para o cicloturista iniciante.

Ciclovia de Marsilac Bike Zona Sul
Ciclovia na Estrada de Marsilac, local que não é fácil chegar sozinho, devido à falta de conectividade com a Ciclovia da Teotônio Vilela.

A região tem muito a ganhar com a criação de roteiros para a caminhada e o cicloturismo no extremo sul, algo similar à tantos existentes ao redor do mundo como o Caminho de Santiago e até mesmo do Brasil como a Estrada Real, Caminho da FéCaminho do Sal e tantos outros que movimentam comércios e pousadas ao longo de seus roteiros completamente acessíveis para andarilhos e cicloturistas.

O BZS também possui inúmeros roteiros de cicloturismo passando por Parelheiros, Marsilac e Ilha do Bororé, que fizemos para auxiliar os deslocamentos de bicicleta na região, possibilitando o acesso de pessoas que queiram conhecer o pólo pedalando:
https://bikezonasul.org/roteiros-de-cicloturismo

Em cada passeio do Pedal Especial do Mês que fizemos, de 2015 a 2017 chegamos a juntar entre 100 a 300 pessoas para conhecer os recursos naturais, cachoeiras, templos e locais históricos da Zona Sul, fomentando o comércio local e o turismo sustentável, através do veículo mais ecológico do mundo: a bicicleta.

 

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Isso sem contar as milhares de pessoas que se juntam na Tradicional Descida à Santos pela Rota Márcia Prado, que já possui lei municipal 15.094 de Janeiro de 2010, porém passados 8 anos, ainda não há nenhuma sinalização no trajeto ao longo da Av. Dona Belmira Marin no Grajaú. Mesmo assim, milhares de bicicletas realizam a descida todos os anos, passando pela Ilha do Bororé, lotando os comércios locais que sempre preparam seus estoques para atender a demanda. A descida desse ano, já possui data programada e terá o apoio do governo estadual: www.facebook.com/events/595213890839938

Outros grupos também já mobilizaram centenas de ciclistas, batendo diversos records de público como os passeios ao Sólo Sagrado de Guarapiranga da Brasil BIKEmotion, que juntou mais de 400 ciclistas. Infelizmente a Igreja Messiânica Mundial do Brasil, responsável pelo local, tem limitado a quantidade de público a apenas 50 participantes, impondo dificuldades de acesso à quem chega de bicicleta, com regras e agendamento, o que burocratiza e prejudica o cicloturismo, além de não oferecer nenhum bicicletário permanente para quem visita espontaneamente o local.

No documento da prefeitura, a bike como ferramenta de turismo ecológico acaba sendo deixada de lado, quando o mesmo menciona o “cicloturismo” apenas no cantinho do rodapé da página 54, dizendo que os projetos “poderão ser trabalhados”. Ou seja, não há sequer estudos ou projetos de implantação das engavetadas rotas de cicloturismo prometidas para o pólo, que já vinham sido estudadas anteriormente por moradores locais.

É preciso muito mais que estudos, é preciso ação, colocando em prática o que já vinha sendo estudado por outras gestões, como a implantação desses roteiros, ciclovias, ciclo-rotas, pousadas, campings e enfim, toda a estrutura para que o turista possa se sentir bem ao vistar o pólo pedalando e voltar muitas outras vezes.

(Equipe Bike Zona Sul: Paulo Alves)

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Descida à Santos 2018 será organizada pelo governo estadual

Bike Zona Sul Descida à Santos
Ciclistas descendo a Rodovia Anchieta, local bastante hostil à bicicletas, mas que foi exclusivamente das bikes por um dia.

A Tradicional Descida à Santos 2018 deve acontecer com apoio do Governo do Estado e abertura da Rodovia Anchieta totalmente aos ciclistas no dia 02 de Dezembro desse ano.

“Notícia importante: foi confirmado que o Governo de Estado se entendeu com a Ecovias, que se entendeu com os ciclistas e no dia 02/12 desse ano vai apoiar a magnânime ultra super master blaster TRADICIONAL DESCIDA PARA SANTOS, com a Anchieta FECHADA PRA CARROS entre 06h e 12h. Não vai ter bomba de gás nem o show de horrores generalizado de dezembro passado. Marquem a data.”

A iniciativa surgiu após algumas reuniões do governo, Artesp, Ecovias e Polícia Rodoviária com os ciclistas, cicloativistas e advogados da causa, após o triste episódio de 2017, onde 4.000 pessoas foram impedidas de exercer seu direito de utilizar a bicicleta para ir ao litoral.

Na ocasião, a polícia barrou a descida com tropa de choque, jatos d’água e bombas de gás, mas ainda assim, cerca de 500 pessoas conseguiram descer pela contra-mão da Rodovia Anchieta, que estava com tráfego bloqueado devido ao protesto dos ciclistas presentes.

Bike Zona Sul Descida à Santos
Ciclistas barrados com truculência em Dezembro de 2017. Governo promete tranquilidade e organização.

 

Esse ano, o governo se comprometeu a organizar o evento em parceria com a concessionária Ecovias, que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes, onde estão planejando toda a estrutura de apoio aos participantes.

Porém, durante essas reuniões, os ciclistas deixaram claro que o essencial é garantir o direito de ir e vir nos demais dias do ano, bem como a liberação da Estrada de Manutenção, oficializando a Rota Márcia Prado, em termos estaduais e a abertura da Rodovia Caminho do Mar aos ciclistas. Com isso, estudos estão sendo elaborados para buscar uma conexão cicloviária da Rodovia dos Imigrantes até o acesso da Estrada de Manutenção, bem como a restauração da estrada, devido os desmoronamentos ocorridos há alguns anos no local.

Acreditamos que o evento é importante, mas o fundamental é o respeito e reconhecimento da bicicleta como um veículo de transporte. Rodovias e estradas devem ser estruturadas ao uso das bicicletas e sinalizadas alertando os motoristas sobre a presença de bicicletas no acostamento. No caso da descida ao litoral, já temos duas opções (Estrada de Manutenção e Caminho do Mar) praticamente prontas e totalmente viáveis ao deslocamento de ciclistas ao litoral. Basta liberação, sinalização e bom senso para fazer as coisas acontecerem para estimular o uso da bicicleta no turismo e transporte.

(Equipe Bike Zona Sul: Paulo Alves)

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Opinião: primeiro a estrutura, depois as regras

A partir de abril, ciclistas e pedestres que cometerem infrações de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) poderão ser multados.

Confira a Resolução que uniformizou o procedimento de autuação nesses casos: http://bit.ly/Resolucao706

As regras para circulação de pedestres e ciclistas nas vias estão no CTB, artigos 254 e 255, respectivamente. Confira: http://bit.ly/CódigodeTransitoBrasileiro

Bike Zona Sul
Multas a ciclistas e pedestres

Acreditamos que primeiro se constrói toda a estrutura suficiente para que o ciclista e o pedestre se desloquem com segurança.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) infelizmente não se baseia na lei de menor esforço, que coloca a mobilidade humana em primeiro plano, tornando esses deslocamentos mais fáceis, diretos e sem aclives. Pouco compreendem que a prioridade na cidade sempre deve ser dada aos ciclistas e pedestres, criando toda uma rede planejada e conectada para o deslocamento à pé e de bicicleta, especialmente na construção e reforma de avenidas.
Infelizmente não é o que acontece, por exemplo, na extensão da Chucri Zaidan (Av. Cecília Lottenberg), onde priorizaram mais uma vez o deslocamento dos carros e deixaram a ciclovia de lado com um mísero trecho “onde dava”.

Onde estão as faixas de pedestres ao menos a cada 50 metros, campanhas de educação, fiscalização, calçadas acessíveis, ciclovias interbairros ao longo de avenidas e intermunicipais nas rodovias? Será que novamente preferem excluir o “problema” ao invés de criar soluções em prol da prioridade à vida?
Acreditamos que depois que o governo fizer essas tarefas implantando toda a estrutura suficiente, pode-se punir quem atravessa fora da faixa, mesmo estando ela em um caminho lógico que liga pontos de interesse ou quem pedala fora da ciclovia ou em calçadas em avenidas com estrutura cicloviária em toda a sua extensão ligando bairros ou se conectando com outras ciclovias (só em sonho!).
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