Ciclovias do Rio Pinheiros: Como estão e o que queremos

As ciclovias existentes nas margens do Rio Pinheiros são essenciais para quem se desloca de bicicleta nas zonas Sul e Oeste, em especial para quem é do Extremo Sul. Pensando nisso, desde sempre o BZS luta por melhorias nas margens do Rio Pinheiros como mais acessos e mais segurança para ambas ciclovias.

Conhecida como Ciclovia Rio Pinheiros por ter sido inaugurada primeiro, a ciclovia da Margem Leste, foi concedida em foi concedida em maio de 2020. Ela ficou fechada cerca de 5 meses, e nós fizemos duas vistorias em julho, sendo que a ciclovia foi reaberta no início de agosto. Atualmente ela está sendo administrada pela Farah Service e possui um perfil no Instagram, por onde os ciclistas podem tirar dúvidas e sugerir melhorias,

Já a Ciclovia do Trabalhador, mais conhecida como Ciclovia da Margem Oeste, permanece sob responsabilidade do Governo do Estado, que recentemente lançou um edital para concessão de grande parte da Margem Oeste do Rio Pinheiros.

O Bike Zona Sul continua lutando para tornar ambas ciclovias mais acessíveis e mais seguras, por isso fez relatório sobre as ciclovias nas duas margens do Rio Pinheiros. Nosso trabalho começou em agosto, quando mapeamos todos acessos da Ciclovia da Margem Oeste, tanto oficiais quanto populares. Feito o reconhecimento fotográfico, criamos uma planilha com a localização e detalhes sobre todos acessos em ambas ciclovias.

Logo depois a expedição fotográfica e a planilha, convidamos o Bike Zona Oeste para nos ajudar. Após meses de trabalho, criamos o Relatório de Acessibilidade e Infraestrutura Cicloviária das Ciclovias nas margens do Rio Pinheiros. O relatório está disponível em PDF aqui.

Já compartilhamos o relatório com Alexandre Baldy, secretário de Transportes Metropolitanos, e com Michel Farah, o gestor da Ciclovia Rio Pinheiros/Margem Leste. Nos colocamos à disposição para dialogar, fazer sugestões e buscar melhorias para as duas ciclovias.

Para facilitar a leitura de todos, colamos o relatório abaixo. Está em texto para preservar os links.

Ciclovias das margens do Rio Pinheiros
Relatório de Acessibilidade e Infraestrutura Cicloviária

Este relatório tem como objetivo propor melhorias urgentes para a circulação de ciclistas para fins de mobilidade, logística, lazer, esporte e turismo nas margens do Rio Pinheiros, na cidade de São Paulo. Para isso, é necessário ampliar as ciclovias em ambas margens, assim como construir novos acessos e outras estruturas de apoio como guaritas e banheiros. Como qualquer intervenção no Rio Pinheiros e áreas próximas é complexa, buscamos reunir informações úteis para auxiliar o Governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura do Município de São Paulo em projetos relacionados ao Rio Pinheiros.

Ciclovia Rio Pinheiros / Ciclovia da Margem Leste

Inaugurada em 2010, a ciclovia percorre a Margem Leste do Rio Pinheiros entre o número 830 da Rua Miguel Yunes e o Parque Villa-Lobos/Estação Villa-Lobos – Jaguaré da Linha 9 Esmeralda. Possui extensão total de 21,5 quilômetros. No caminho passa pelos bairros de Santo Amaro, Brooklin, Itaim Bibi, Pinheiros e Alto de Pinheiros.  

Em 2013 a ciclovia teve seu trajeto interrompido por conta das obras da Linha 17 do Metrô, ainda em andamento. O trecho entre a Estação Granja Julieta e a Ponte Octavio Frias de Oliveira (Estaiada) está bloqueado devido às obras. Para se deslocar entre as zonas Sul e Oeste os ciclistas precisam subir uma escada provisória na Ponte João Dias, atravessá-la desmontados e descer por outra escada provisória na Ciclovia da Margem Oeste para continuar o trajeto, onde só conseguem atravessar de volta para a Margem Leste na Ponte Cidade Jardim, por meio de uma terceira escada provisória. Nas escadas há pequenas rampas adaptadas para bicicletas, porém elas são inadequadas para alguns tipos de bicicleta e o ângulo/dimensões da escada são ruins para a maioria dos ciclistas. Além disso, o estado de conservação das escadas é precário pois elas já estão ali há cerca de 7 anos.

Segundo o site da CPTM, atualmente existem 6 acessos oficiais:

Ressalta-se que o acesso da Passarela da EMAE é através de escadaria com trilho, portanto inacessível para muitas pessoas, como handbikers e adultos com crianças em cadeirinha. É recomendável que seja construída uma rampa com melhor acessibilidade, nos moldes do Parque do Povo ou da Ponte Laguna. 

Há diversos projetos de acessos já aprovados e anunciados, com verba de diferentes origens:

  • Estação Villa-Lobos-Jaguaré, via CPTM (suspenso)
  • Ciclopassarela Bernardo Golfarb (rebatizada com Ciclopassarela Marina Harkot), via Operação Urbana Consorciada Faria Lima (falta licitação da obra)
  • Ciclopassarela Berrini-Panorama, via Operação Urbana Consorciada Faria Lima (falta licitação do projeto executivo e obra)
  • Estação Morumbi, via CPTM (falta finalizar a obra)


Outros problemas na Margem Leste

  • Falta de iluminação 
  • Conflito com automóveis (em direção contrária ao preconizado pelo Código de Trânsito Brasileiro) 
  • Conflito com ciclistas em alta velocidade 
  • Horário restrito 

Demandas específicas

  • Construção urgente dos novos acessos mencionados acima, em paralelo
  • Adequar o fluxo conforme preconizado pelo Código de Trânsito Brasileiro
  • Inibir abusos de velocidade e comportamentos abusivos, sobretudo em locais mais perigosos e em horários de maior movimento de ciclistas menos experientes 
  • Instalar iluminação
  • Estender horário de uso
Ciclovia do Trabalhador / Ciclovia da Margem Oeste

Começa no Largo do Socorro, percorre a Margem Oeste do Rio Pinheiros e acaba na Ponte Cidade Jardim. Possui extensão de 12 quilômetros e passa pelos bairros do Socorro, Guarapiranga, Capão Redondo, Panamby, Morumbi e Butantã.

Atualmente existem 6 acessos oficiais:

É importante destacar que, além dos acessos acima, existem ‘acessos populares`. Esses acessos foram criados por usuários de forma extraoficial, mas atualmente são usados:

Além disso, há 4 acessos previstos, com verba de diferentes origens:

Outros acessos desejados na Margem Oeste

Outros problemas na Margem Oeste

  • Falta de iluminação
  • Falta de policiamento e outras medidas para melhorar a segurança 
  • Falta de transposições para Margem Leste
  • Falta de conexão com as infraestruturas próximas:
    • Av. Luiz Gushiken/Guido Caloi
    • R. Dr. José Augusto de Queiroz/Jóquei Clube
    • R. Agostinho Cantu/rede USP-Estação Butantã

Demandas específicas

  • Construção dos novos acessos mencionados acima, sobretudo a  ciclopassarela Berrini-Panorama, na Av. Guido Caloi, Ponte Guarapiranga, Ponte do Morumbi (transposição pela ponte antiga e acesso pela ponte nova)
  • Extensão da ciclovia pelo Rio Guarapiranga pela estrada abandonada (já asfaltada)
  • Transposição na Estação Sto. Amaro
  • Instalar iluminação
  • Ter policiamento e outras medidas para melhorar a segurança 
  • Melhorias nos acessos existentes (substituir escadas por rampas pedaláveis como a do Parque do Povo)

A planilha com a lista completa de acessos e detalhes sobre as condições está disponível de forma pública aqui.

Encaminhamentos

O potencial das margens do Rio Pinheiros para o uso de bicicleta é evidente e indiscutível, tanto para a mobilidade quanto para o lazer. Ambas margens possuem espaço suficiente para a ampliação das ciclovias existentes, assim como para a construção de novos acessos, novos pontos de apoio, espaços de lazer (como quadras, mirantes, etc) e também espaços comerciais (como cafeterias, lanchonetes, bicicletarias, etc). Para que as margens do Rio Pinheiros atinjam seu potencial e se tornem um novo espaço de lazer, cultura e mobilidade, é necessário que sejam construídos mais acessos. 

Ampliar a acessibilidade e melhorar as condições nas ciclovias existentes é um ponto fundamental, pois permitirá o melhor uso do espaço pela população e a sua transformação a médio e longo prazo. As ciclovias são ferramentas para ocupação e uso do espaço, se tornando base para futuros projetos, incluindo o parque linear do Rio Pinheiros ali, conexão ao norte com uma futura ciclovia na Marginal Tietê e ao sul com a ciclovia Rota Márcia Prado. O uso das ciclovias já é intenso e crescente, com potencial enorme para as pessoas da cidade de São Paulo e do seu entorno.

Os coletivos Bike Zona Sul e Bike Zona Oeste continuam à disposição do Governo do Estado e da Prefeitura para dialogar de forma construtiva, buscando melhorar a acessibilidade, qualidade e segurança em ambas as ciclovias. 

(Equipes Bike Zona Sul e Bike Zona Oeste: Fernando de Abreu, Kristofer Willy, Marivaldo Lopes, Paulo Alves, Sasha Hart, Simone Penninck e Thomas Wang)

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