Veja como vai ser a ciclofaixa da Av. Roberto Marinho!

No dia 06/08 a Prefeitura anunciou que as obras da ciclofaixa da Avenida Roberto Marinho iam começar essa semana, então estamos ansiosos! Por enquanto não vimos nada, mas esperamos que essa ciclovia seja entregue o quanto antes! Atualmente a região possui somente a ciclovia da Berrini, já que a Ciclovia Rio Pinheiros não tem acesso ali. Vale lembrar que a ciclovia da Berrini acaba de repente porque a SPObras não entregou a ciclovia da Chucri Zaidan/Cecilia Lottemberg, que possui projeto e verba da Operação Urbana Águas Espraiadas.

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Nossa análise começa na Estação de Transferência/Terminal Água Espraiada, onde a ciclovia da Av. Eng. Luis Carlos Berrini deveria se conectar com a da Av. Jornalista Roberto Marinho, porém o projeto não mostra essa conexão no cruzamento:

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Outro ponto que nos incomoda é o uso da calçada para sinalizar a ciclovia quanto há 4 faixas no sentido Marginal Pinheiros da Roberto Marinho e mais 2 no sentido Jabaquara (além de outras 4 sentido Jabaquara interditadas por causa das obras da Linha Ouro). A calçada no trecho é insuficiente para a quantidade de pedestres e possui largura bem menor que as faixas de rolamento, não seria melhor utilizar uma das faixas para a ciclovia?

A situação fica pior entre as ruas Araçaíba e Guaraiuva, onde será feita uma calçada compartilhada (e não uma ciclovia na calçada como no trecho anterior):

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Nessa quadra a avenida tem 10 faixas (5 em cada sentido), porém a CET quer que os ciclistas e pedestres dividam uma calçada estreita? Abaixo é possível perceber como o espaço está mal distribuído:

BZSNa foto é possível perceber que a avenida tem espaço de sobra para que a faixa ao lado da calçada seja transformada em ciclovia, conforme abaixo:

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No cruzamento da Rua Guaraiuva temos outra situação estranha, onde o semáforo não vai priorizar os ciclistas, mas vai priorizar o tráfego dos demais veículos:

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Independente de onde venha e para onde vá, o ciclista sempre terá que esperar 2 tempos do semáforo para conseguir atravessar em segurança. Por que a CET não sinaliza travessias em dois sentidos como na Paulista com a Consolação?

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Cruzamento da Rua da Consolação com a Av. Paulista possui tempo próprio e travessias em dois sentidos para facilitar a vida dos ciclistas (Google).

Do cruzamento com a Rua Guaraiuva, a ciclofaixa segue pelo canteiro central da avenida, junto ao córrego. Ela estará dos dois lados do córrego e será monodirecional (mão única) no mesmo sentido que os demais veículos.

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No cruzamento com a Rua Gabriel de Lara/Ribeiro do Vale não há travessias transversais para ciclistas que quiserem acessar a ciclofaixa. No mesmo cruzamento, pedestres continuarão sendo obrigados a fazer a travessia em duas fases para priorizar os carros na avenida. O projeto preliminar que recebemos, também não prevê a conexão com a futura Estação Vila Cordeiro (da Linha 17 Ouro) e nem se a estação terá bicicletário. A estação e o bicicletário são de responsabilidade do Governo do Estado.

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O problema se repete em todos cruzamentos da avenida: não serão sinalizadas travessias para as ruas laterais. O que acontece se os ciclistas quiserem sair da ciclofaixa para entrar em uma das ruas transversais e vice-versa (em azul) ? Eles devem sair da ciclofaixa somente nos cruzamentos com faixas de pedestres? Ou devem tentar atravessar as 5 faixas de tráfego para tentar chegar? Já comentamos sobre esse problema no projeto da Av. Ricardo Jafet, que não possui praticamente nenhuma travessia segura para os ciclistas entrarem/saírem da ciclofaixa, que fica no canteiro central da avenida.

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No trecho próximo da Av. Portugal temos os mesmos problemas: faltam travessias de ciclistas e faixas de pedestres.

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Na altura da Estação Campo Belo/Av. Santo Amaro não há travessias sinalizadas para os ciclistas acessarem o bicicletário existente na estação (destacamos a rota em azul e bicicletário em verde).  A Av. Santo Amaro será ampliada, porém não receberá ciclovia. Por isso, o Bike Zona Sul e o Bike Zona Oeste criaram um abaixo-assinado exigindo a implantação de uma ciclovia quando a avenida for ampliada.

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A ciclofaixa também não terá travessias para ciclistas acessarem a Av. Vereador José Diniz, mesmo ela sendo uma rota usual para muitos ciclistas.

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No trecho onde será a futura Estação Vereador José Diniz (Linha Ouro) também não há travessias sinalizadas nem informações sobre o bicicletário. Novamente, faltam travessias para ciclistas acessarem a ciclofaixa vindo das ruas laterais (ou indo para elas), assim como faltam várias faixas de pedestres.

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Ao passar por baixo da Av. Washington Luis, não há conexões com as ruas do entorno, mas existem faixas de pedestres, algo raro no restante da avenida. Também existia uma ghost bike que foi retirada pela Prefeitura, que homenageava um rapaz atropelado na Roberto Marinho por um motorista alcoolizado em 2012/13:

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No final da Avenida Roberto Marinho a ciclofaixa sobe no canteiro e estão previstas duas travessias: uma conectando a ciclofaixa com o Parque do Chuvisco e outra na calçada do lado do piscinão. Estranhamente, o projeto não prevê as conexões com a ciclofaixa da Rua Pedro Bueno (também prevista para 2020) e nem com a ciclovia do Viaduto Doutor Lino de Moraes Leme (atrasada desde 2018).

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Mapa de Infraestrutura Cicloviária da CET 

Toda ciclofaixa é bem-vinda, em especial em avenidas largas e de alta velocidade como a Jornalista Roberto Marinho. Entretanto, ao analisar o projeto dessa ciclofaixa fica claro que a Prefeitura insiste em usar o ‘espaço que sobra’ para os ciclistas, priorizando os carros e demais veículos motorizados.

Em uma avenida com mais de 10 faixas, a CET quer que o ciclista use o canto da via e a calçada quando uma das faixas poderia ser usada para a construção de uma ciclovia mais ampla e inclusiva.

Estamos felizes com a implantação dessa estrutura, mas esperávamos uma ciclovia melhor (talvez bidirecional e elevada, com travessias bem sinalizadas e a preferência para os ciclistas), dado que o discurso da gestão Doria-Covas é de ‘construir ciclovias melhores, o que infelizmente não temos visto. Nas ‘requalificações’ temos visto somente manutenção, sem a inclusão de nenhuma melhoria sugerida pela Câmara Temática de Bicicleta ou pelos ciclistas locais. Nós mesmos já fizemos sugestões ao analisar projetos anteriores (aqui, aqui e aqui).

Toda estrutura cicloviária é uma conquista dos ciclistas, porém temos a impressão de que a atual gestão da Prefeitura continua priorizando os carros e o ciclista recebe um espaço mínimo, sendo isso refletido nos projetos de novas ciclovias, como a da Roberto Marinho. Fica claro ela não foi projetada dando preferência aos ciclistas, e sim aos carros que já reinam na avenida. Será que ano que vem teremos um prefeito que realmente priorize os ciclistas?

(Equipe Bike Zona Sul: Kristofer Willy, Paulo Alves e Thomas Wang)

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